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terça-feira, 16 de outubro de 2007

Quem tem medo do Zé Celso II ou Autocrítica

Retiro o que disse. Aliás, desdigo em parte o que disse. Afinal o homem é um ser em eterno conflito, em constante contradição e por isso mesmo em eterna evolução. Zé Celso sabe muito bem o que faz. Sabe o texto. Sabe a fala. Sabe o gesto. Sabe quando alguém erra. “Com essa eu vou para a escuridão!” vociferou em cena, quando o ator com quem contracenava teve “um branco” e improvisou com um “vai para o caminho da luz, Conselheiro...” E olha tudo atento, como se fosse a primeira vez que estivesse pisando naquele palco. Com um olhar de criança diante de um brinquedo novo. Com um olhar de faminto diante de um banquete. Ontem completei o ciclo: A Terra, Homem II, Homem II, Luta I e Luta II, estes últimos os que assisti primeiro e de onde tirei as conclusões que vocês leram anteriormente. E que agora passo a relatar tentando reproduzir a emoção de assistir a este espetáculo do Teatro Oficina.

Esta semana vc vai ler sobre os cinco capítulos de Os Sertões na montagem do Teatro Oficina e a Parada Gay no Rio de Janeiro

domingo, 7 de outubro de 2007

riocenacontemporânea 2007: Quem tem medo do Zé Celso?


Lá vamos nós de novo saber o que está acontecendo na cena cultural do Rio. E é na cena mesmo: riocenacontemporânea 2007, que em sua 8ª edição, apresenta espetáculos de teatro, performances e dança, vídeos, instalações e acervos em exposição de várias partes do Brasil, América Latina e outros países do mundo. Uma parte dos eventos acontece lá no Centro Cultural da Ação da Cidadania, na zona portuária do Rio. E a grande atração desta edição é a Uzyna Uzona, projeto do polêmico, divertido e septuagenário diretor Zé Celso Martinez Correa, um senhor que durante toda sua carreira, nunca se acomodou na estrutura estabelecida da profissão de artista. E a maior prova disso é que seu grupo, o cinquentão Teatro Oficina, apresenta neste festival sua adaptação de Os Sertões, de Euclides da Cunha. Dividida em cinco partes de seis horas cada (é, cada espetáculo dura 6 horas!), esta “ópera” mostra a história de Canudos, cidade do sertão baiano, onde Antonio Conselheiro fundou um movimento sócio-religioso, reprimido militarmente, que durou de 1893 a 1897. E nessa montagem, Zé Celso sabe o que faz. Ou não sabe. Mas deixa acontecer. Um elenco de 57 atuadores (como ele mesmo diz) cria um quadro político, econômico, cultural e social da época, onde o governo não estava nem um pouco interessado em saber como estava o povo do sertão. A República tinha sido proclamada quatro anos antes, Floriano Peixoto, seu segundo presidente, estava entregando o cargo a Prudente de Morais. E os sertanejos não contestavam o novo regime, apenas não estavam satisfeitos com a cobrança exagerada de impostos para o governo, que não lhes dava nada em troca. Tudo isso ajudou a criar a falsa imagem de que Conselheiro era um monarquista, que estava interessado em derrubar a República através de um levante popular. E Zé Celso põe elenco e platéia para correr, brincar, cantar e pular em um espetáculo que tem gosto de frutas, vinhos, cachaça, cheiros variados, em uma celebração a Dionísio. Mas Zé Celso choca. Homens se masturbam e gozam em cena, mostrando que ele ainda não perdeu a fixação pelo macho branco nu de pau duro. Mulheres nuas que também se masturbam e trepam com outras mulheres, que podem ser da platéia inclusive, fazendo a alegria de alguns e o susto de outros. A brilhante atuação do ator que interpreta o Coronel Moreira César, militar que comandou a terceira expedição a Canudos, também se destaca. Fogo, água, terra, explosões, música. Tudo o que falam de Zé Celso é verdade.

Fecha a cortina.

Rolo


sábado, 6 de outubro de 2007

Juventude Negra e Mercado de Trabalho

Deise Queiroz
Coordenadora de Projetos do Diáspora
Estudante Cotista de Ciências Sociais da UFBA



O mercado de trabalho ainda hoje , reflete a organização racial imputada no país , onde os mecanismos discriminatórios se apresentam de forma muito eficiente. Ele é o espelho do racismo, reservando os lugares sócio-econômicos para cada grupo étnico-racial , orientado pela lógica racista.

As fontes de pesquisas nos fornecem números que confirma isto. As/os negras/os estão mais sujeitas/os ao desemprego, permanecem mais tempo desempregadas/os e quando estão empregadas/os ocupam funções de menor qualidade, status e remuneração.

Segundo o Relatório de Desenvolvimento Humano (2005), organizado pelo PNUD, de 1992 a 2003, considerando a mesma faixa etária pra brancos e negros, a taxa de desemprego da população negra foi, em média 23% superior à da população branca. Fracionando por sexo: para as mulheres negras era 30% maior que entre as mulheres brancas e, entre os homens negros 24% maior que a existente entre os homens brancos.

Considerando o fator remuneração, as desigualdades se manifestam mais nitidamente. Em 2003, segundo este mesmo relatório, os homens brancos ganhavam em média 113% mais que os homens negros, e as mulheres brancas 84% mais que as mulheres negras.

Quero enfatizar que a pirâmide sócio-racial se estrutura da seguinte forma, do topo para a base : homens brancos, mulheres brancas, homens negros mulheres negras.

As negras/os tem maior participação que os brancos no mercado de trabalho justamente nas faixas etárias menos desejadas ; entre 10 e 24 anos (trabalho infanto-juvenil , período para dedicar-se aos estudos). Na idade considerada melhor produtiva para o mercado, a participação da população negra cai significativamente. Voltamos a ocupar maior percentual em participação nas idades de aposentadoria (velhice).

A conseqüência da inserção prematura da população negra no mercado de trabalho é o pouco tempo que resta para dedicar à educação , acarretando na manutenção de cargos subalternos, pouco valorizados e mal remunerados.

É importante frisar que mesmo entre os negros mais escolarizados, as dificuldades de acesso ao mercado de trabalho são marcantes. As discrepâncias de escolaridades entre as duas raças são acentuadas, porém não são suficientes para explicar a diferença de remuneração. Isso pode ser comprovado observando que entre grupos que tem o mesmo tempo de estudo, a desigualdade entre brancos e negros permanece. E quanto mais elevada é a escolaridade, as discrepâncias salariais se acentuam, sobretudo entre as mulheres negras. Na região Nordeste, os homens brancos ganham 77% mais que os homens negros e as mulheres brancas 74% mais que as mulheres negras.

Não podemos esquecer o papel que o Estado desempenhou para que o racismo entranhasse também na lógica do mercado de trabalho, quando, no pós escravidão, escolheu nos marginalizar , importando mão de obra branca européia , legitimando mais uma vez , o mito da inferioridade negra.

No início do século XXI, houve um “ boom” das Universidades particulares no Brasil, especialmente em Salvador, a conquista histórica do Movimento Negro garantido as cotas raciais nas Universidades públicas, possibilitando uma parcela maior de jovens negras/os adentrarem os espaços de produção de conhecimento. Mas é chegada a hora da saída dessa população qualificada e diplomada para o mercado de trabalho . Como será a recepção da sociedade estruturalmente racista para absorver esta mão de obra que além de desejar os postos mais elevados com melhor remuneração , deseja também gerenciar, dirigir e comandar?

Diante disso, chamo a atenção para a importância dos Grupos de estudantes negras/os organizados nas Universidades criarem estratégias para ampliar a discussão e efetividades no que tocam as ações afirmativas. Elas não se limitam à educação. Está para além disso. Vários países no mundo adotaram ações afirmativas no mercado de trabalho com excelentes resultados. A África do Sul, por exemplo, estipulou ações afirmativas nos postos de chefia das empresas no final do século XX.

Outro ponto que não pode deixar de ser levantado, é a situação da mulher negra, que dentro dessa pirâmide sócio-racial , encontra-se na base, com os maiores índices de desemprego, subempregos e os piores salários.

Sem dúvida, vivemos numa sociedade tão racista quanto machista!!!!
A Juventude negra dentro desse quadro

A juventude negra, o alvo preferido dos homicidas, da violência policial, dos grupos de extermínio, lidera o rancking dos recebedores dos menores salários. Também encabeçamos a lista dos desempregados, dos analfabetos, dos que têm os piores empregos.

O Brasil tem aproximadamente 11,5 milhões de jovens negras e negros de 18 a 24 anos ( 6,6% da população brasileira ) . Entre 10 nossos, 4 estão empregados, entre os brancos essa relação era de 10 para 6.

Quando conseguimos um posto no mercado, a ocupação normalmente é exercida de forma precária, sem garantia de direitos mínimos, carteira assinada, jornada de trabalho definida.

Ainda tem o quesito “ boa aparência “ , as fotos; que querem uma cara bonita, apresentável. Além de tudo isso, existe a famosa carta de referência, o capital social. Aquela/e que indica ao cargo, e não fazem parte de nossa roda de amizades e parentescos. Um dos pontos de defesa para a implementação nos Estados Unidos da América das ações afirmativas no mercado de trabalho foi esse; o entendimento que se tem sobre a ocupação dos melhores cargos, os de chefia e direção ( cargos de confiança). A indicação é feita por um funcionária/o mais antiga/o, que está numa função de direção e apresenta o currículo de um parente ou amigo da família, endossando a confiabilidade dessa/e futura/o funcionária/o.

E aí ficamos entre um ambiente escolar pouco hospitaleiro, sem pertencimento local , nos direcionando à evasão ; os nossos que conseguem ultrapassar esta etapa, concluindo a vida escolar, deparam-se com o ambiente inóspito do mercado de trabalho. Para não enquadrar-se no genocídio social, a juventude negra recorre a um mercado de trabalho originalmente negro, formatado no período pós escravização, quando o Estado escolheu marginalizar esta mesma população sob a égide do mito de um avanço tecnológico que nos caberia . Assim criamos mercado informal, o famoso ambulante. Inicialmente, dominado por mulheres pretas, ex-escravizadas, comercializando quitutes, feijão, cocadas nas ruas, homens engraxates, sapateiros, hoje sob a nomenclatura de camelôs, vendedores de picolés, água, cerveja.


Bibliografia:

- Relatório de Desenvolvimento Humano
Racismo, pobreza e violência – 2005
PNUD - Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento

- Juventude Negra e Exclusão Radical
Maria Aparecida Silva Bento
Nathalie Beghin

- Revista Urutágua
Racismo : o negro e as condições de sua inserção no mercado de trabalho brasileiro no final da década de 90.
Geruza de Fátima Tomé

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Até 2008: 10 anos de Festival do Rio

VOX POPULI VOX DEI

Melhor Curta: A maldita, de Tetê Mattos
Melhor Longa documentário:
Memória Para Uso Diário
, de Beth Formaggini
Melhor Longa ficção: Estômago, de
Marcos Jorge

É isso aí, meu elenco! Certamente vocês já sabem quem ganhou o Festival do Rio, não é? O melhor filme, o melhor diretor, a melhor atriz, o melhor ator. Então vou ficar com a premiação do Júri Popular. Sim, aquela galera que vai assistir ao filme e no final da sessão preenche uma filipeta com seu voto. Ou então aqueles que escolhem seus filmes preferidos pela internê. E votam. E premiam os filmes que acreditam serem os melhores. A voz do povo é a voz de Deus.

Tetê Mattos com seu curta “A Maldita”, sobre a Fluminense FM, rádio que rompeu com os padronizados mercados de música estrangeira, dando início à chamada geração Rock 80, com irreverência, ousadia e criatividade na programação. Na tela, depoimentos de jornalistas, artistas, locutores e ouvintes. Muito bom de ver e de ouvir. E Tetê Mattos, que conheci exatamente no Festival do Rio 2005, merece. Merece esse prêmio e muitos mais que virão!

Já Beth Formaggini, outra agraciada com a escolha da platéia, eu conheço da Militância política, pela Democratização dos Meios de Comunicação. E não seria com outro tema que esta documentarista ganharia um prêmio desse tamanho. “Memória para Uso Diário”, mostra de maneira emocionante, a história do grupo “Tortura Nunca Mais”. Sua trajetória, desde a fundação até sua atuação nos dias de hoje, onde a polícia - que pagamos para nos proteger – ainda atua como os antigos órgãos de repressão da Ditadura Militar, violando direitos civis e torturando aqueles que eles supõem serem suspeitos, no caso, ou em todos os casos, os pretos das favelas.

“Estômago”, do curitibano Marcos Jorge (premiadíssimo diretor de curtas e vídeos) fez o deleite da platéia, a ponto de ser escolhido como o melhor filme do Festival pelo Júri Popular. Ao misturar pobreza, marginalidade, falta de sorte e... comida, o filme dá uma verdadeira aula de gastronomia, culinária e cinema. Dos bons! Marcos Jorge consegue se igualar a Marco Ferreri, com “La Grande Bouffe” (A Comilança, 1973), Peter Richardson, com o seu “Eat the Rich” (Comendo os Ricos, 1987), e a Peter Greenway com “The Cook the Thief His Wife & Her Lover” (O Cozinheiro, o Ladrão, sua Mulher e o Amante, 1989), com sabor bem brasileiro. E você ainda pode assistir a um show de interpretação de TODO o elenco, com destaques para o ator João Miguel (também prêmio de Melhor Ator do Júri Oficial), no papel do aprendiz de cozinheiro Raimundo Nonato e de Fabíula Nascimento como a prostituta Iria.

A partir de hoje tem a famosa “Repescagem”: todos os filmes que você não conseguiu assistir durante o Festival do Rio vão estar em exibição diária no Cine Odeon, na Cinelândia. Olho nos jornais para conferir a programação e até lá, porque eu também vou estar nessa, hehehe!

Corta

Rolo

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Esta quinta é noite de prêmios, aplausos, vaias, muito choro e discursos no Odeon e festa na Tenda em Copacabana!

Fernandinha e Fernandona encheram a tela e nossos olhos nesta noite de quarta no Odeon


Fernandinha

"Jogo de Cena", de Eduardo Coutinho é mais um brilhante documentário do diretor de "Cabra Marcado para Morrer", "Edifício Master" e "Peões". Selecionou vinte e três das oitenta e três mulheres que contaram suas histórias de vida, atendendo a um anúncio de jornal publicado pela produção do filme. Depois, Coutinho convida Fernanda Torres, Andréia Beltrão, Marília Pêra, Mary Sheyla e outras para interpretar a seu modo as histórias escolhidas. Com depoimentos comoventes, o filme lembra “Os Injustiçados” (Bob Balaban, 2005), onde atores interpretam prisioneiros condenados injustamente a pena de morte. Mas Eduardo consegue dar sua marca, ao deixar que as atrizes saiam, as vezes, do personagem e coloquem suas inseguranças em relação a forma como estão fazendo os papéis, suas angústias, medos, truques para chorar.

Fernandona

Íntimos como nunca fomos na vida real, Fernandona e eu temos algo em comum: a admiração por Gabo, outro com quem também não compartilho da mínima relação pessoal (daí chamá-lo pelo apelido). E vê-la interpretando a mãe de Javier Bardem neste filme, com aqueles seus imensos olhos saltando para fora das órbitas (e da tela) ao ver o filho definhar por um amor impossível, devido a sua condição social inferior é o máximo! Ver Fernandona mandar cuspe no inglês com sotaque brasileiro, no meio de vários sotaques latinos é o máximo! Ver Fernandona, velha de verdade, contracenando com jovens atores empastelados de rugas de resina e pancaque, para parecerem muito mais velhos é simplesmente o máximo! Ver Fernandona morrer dura, com os olhos esbugalhados (ah, que olhos!) é simplesmente o máximo! Ver as cenas de Fernandona pontuadas pela trilha sonora de Antonio “Ziraldo” Pinto é simplesmente o máximo. Isso é o filme baseado no romance de mesmo título de Gabriel García Márquez, "O Amor em Tempos de Cólera", do diretor Mike Newell. Uma história bem contada, com fotografia deslumbrante de Affonso Beato e uma maquiagem horrível, que simplesmente não envelhece os atores para marcar a passagem de tempo e caracterizá-los em idade avançada. E Fernandona, minha íntima amiga do cinema, do teatro e da tv.


quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Pela Esquerda!

Abaixo a Ditadura!

“Condor”. O título do filme foi o nome dado à cooperação entre militares sul-americanos que culminou com o seqüestro e assassinato de milhares de pessoas e no exílio de muitas outras em toda a América Latina. O filme conta uma história de terrorismo de estado, através de histórias de pessoas e da busca pela justiça, mostrando entrevistas com os dois lados da história: os militares e os ativistas. O general Manoel Contreras (braço direito de Pinochet), Pinochet Jr, Jarbas Passarinho e Hebe de Bonafini (Madre de Mayo) falam de suas experiências e vidas durante os anos de chumbo na América Latina. Preciso dizer mais? Não. O negocio é fazer fila pra assistir, quando entrar em cartaz. O diretor Roberto Mader nos dá uma aula de história.

Tá dominado, tá tudo dominado!

Um cowboy rastafari a cavalo seqüestra um ricaço e o coloca cara a cara com a realidade do lado de fora dos condomínios fechados. Paulinho Caruso faz do seu curta - Alphaville 2007 d.C. – um filme com muita pressão. E seguuuuura, peão!

Loucura, loucura, loucura!

Um diretor de teatro obcecado com a injustiça cometida contra um fazendeiro, caso que iniciou o processo de extinção da pena de morte no Brasil, resolve montar um espetáculo com este tema usando um elenco de pacientes psiquiátricos. A coisa fica fora de controle quando os pacientes resolvem seguir de maneira realista a história de Manoel da Motta Coqueiro. Um elenco de primeira, com destaque para os atores que interpretam os pacientes (caras não muito conhecidas que nos deixam em dúvida se são ou não internos em tratamento). Eduardo Moscovis também manda ver no papel do teatrólogo Danilo. “Sem Controle” é um thriller brasileiro que consegue prender o espectador na cadeira na primeira parte e causar o desconforto da situação incômoda apresentada no decorrer do filme. Cris D’Amato soube como fazer a coisa render utilizando até o efeito de “noite americana” (filmar de dia com filtros que simulam a noite).

terça-feira, 2 de outubro de 2007

A Ópera e o Malandro


A Ópera e o Malandro I

Vem meu amooooooor, vem fazer glu-glu! Mon-amour! André Moraes reuniu um elenco estelar que incluiu Wagner Moura, Lucio Mauro Filho, Lázaro Ramos, Luciano Szafir, Jairzinho Oliveira e Thais Araújo. Tudo isso para fazer uma abobrinha musical cinematográfica chamada a “Ópera do Mallandro”, com dois L. Na sessão noturna do cinema Odeon, quase todo o elenco (faltando apenas o casal Ramos Araújo) subiu ao palco para saudar Sérgio Mallandro, muso e homenageado do curta. Todos que lá subiram, entre atores e técnicos, fizeram “glu-glu”, com direito aos trejeitos e passinhos do apresentador de tv. E Wagner ainda aproveitou para dar uma espinafrada no colunista Diego Mainardi (revista Veja e Manhattan Conecction), por este ter esculhambado a produção cinematográfica brasileira atual e (acreditem!) as sobrancelhas do protagonista de Tropa de Elite. E o filme? Ainda bem que é um curta!

A Ópera e o Malandro II

Bruno Safadi. Guardem esse nome. O cinema autoral ainda vai ouvir falar desse jovem diretor que conseguiu com seu filme “Meu nome é Dindi”, esvaziar a sessão do Odeon, tão rápido quanto Sérgio Mallandro encheu com seu curta, quinze minutos antes. Dona de uma quitanda à beira da falência, a personagem Dindi luta perigosamente pela sua sobrevivênvia. Mas pelo visto, não consegue salvar nem o filme. O que é uma pena, porque Carlo Mossy (o açougueiro), Nildo Parente (o palhaço) e Maria Gladys (a vizinha) são jóias raras da dramaturgia cinematográfica brasileira, com tempo de serviço prestado e que poderiam ter sido muito melhor aproveitados em seus papéis.

A Ópera e o Malandro III

Festa na Tenda de Copacabana. Todos dançando na boate ao som dos anos 80. E quem ficou até o final da farra ainda curtiu uma canja com Sérgio Mallandro, que cantou seu repertório inteiro pra fazer vagabundo pular e se esbaldar, hehehe!

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Domingo foi o dia dos benditos malditos e malditos benditos!



É isso aí, meu elenco! E segue a fita! Domingo que passou foi dia de malditos. Ou benditos, como queiram. De Tetê Mattos com seu curta “A Maldita”, sobre a Fluminense FM, rádio que rompeu com os padronizados mercados de música estrangeira, dando início à chamada geração Rock 80, com irreverência, ousadia e criatividade na programação. Na tela, depoimentos de jornalistas, artistas, locutores e ouvintes. Na platéia, outro maldito: o roqueiro Serguei. Muito bom de ver e de ouvir.

Logo depois, outra bendita que quase virou maldita: “Rita Cadillac – A Lady do Povo”, documentário dirigido por Toni Venturi (diretor do elogiadíssimo Cabra-Cega, 2005), onde a ex-chacrete se desnuda de corpo (e que corpo!) e alma, contando que para sobreviver, depois da morte do Velho Guerreiro, fez até programas. Conta de suas aventuras no garimpo de Serra Pelada, de seu romance com o rei Pelé e de suas apresentações gratuitas no complexo do Carandiru (SP). E de que quase virou maldita por ter feito filmes de sexo explícitos para a série “As Brasileirinhas”. E avisa: vem aí como candidata a um cargo eletivo na próxima eleição.

Paulo Caldas e seu “Deserto Feliz” mostram em imagens cruas e às vezes esmaecidas o tráfico de animais e exploração sexual de meninas no interior nordestino. Destaques para Nash Laila, a protagonista, Zezé Motta, João Miguel (Estômago) e Hermila Guedes (O Céu de Suely).

A Idade da Terra, de Glauber Rocha. Baseado num poema de Castro Alves, este clássico do cinema brasileiro traça um amplo painel da vida e da política no Brasil na passagem da década de 70 para a década de 80, através da metáfora do Terceiro Testamento dos Quatro Cristos-cavaleiros do Apocalypse. O filme foi totalmente restaurado, dentro da mostra Tesouros da Cinemateca, do 9° Festival do Rio. Na platéia os emocionados Tarcísio Meira, Antônio Pitanga e Ana Maria Magalhães, atores deste último filme de Glauber, além de Paloma Rocha, filha de Glauber e dona Lúcia Rocha, mãe do cineasta. Uma benção para quem viu tudo (160 minutos). E um milagre para quem entendeu tudo. Porque a obra de Glauber não é para ser entendida e nem compreendida. É para ser absorvida!

Corta!

Rolo

E vamos botar água no feijão


Sábado foi o dia da Feijoada do Festival do Rio, um programaço sem igual na tarde de sábado. Comi. Bebi. Repeti. Curti a bateria e as passistas lindas da Escola de Samba Grande Rio, de Duque de Caxias e... fui pra casa dormir. E sonhar com as musas deste festival.

“Menino é a Bruna! Coisa horrorosa!”

(Arquiles Arquelau, Professor de Mitologia)

É isso aí, meu elenco! E segue a fita! Seguindo a escola de Robert Altman, Carlos Alberto Riccelli faz um filme correto, bastante simples até, sem as afetações e maneirismos de um segundo trabalho para tentar seduzir a crítica. E não é que ele consegue. O Signo da Cidade (com roteiro e atuação elegante de sua patroa, a sempre Bruna Lombardi) mostra dramas individuais que se entrelaçam no decorrer da trama, juntando astrologia, transexualismo, hospitais e fé, emoldurados por uma São Paulo fria, acinzentada e ao mesmo tempo linda, exatamente como conhecemos ou imaginamos. Uma história delicada com deve ser e rude como deve ser. Destaque para Eva Vilma, Juca de Oliveira e Sidney Santiago (prêmio de melhor ator pelos “12 Trabalhos de Hércules”, dividido com Selton Mello, no Festival de 2006) interpretando um travesti em seu segundo papel no cinema. “Eu ainda tenho que me acostumar com o que vejo na tela, fazendo esta personagem...” me disse timidamente.

Corta!

Rolo

Ah, não! Anão? Não! Sete!



É isso aí, meu elenco! E segue a fita! Isso é coisa do Roberto Berliner (A Pessoa é Para o que Nasce), do Lula Queiroga (parceiro do Lenine) e do Leo Crivelare: sair pra filmar uma coisa e descobrir outra. Ou outras. Ou sete outras. O Circo Pindorama, que viaja pelo Nordeste do Brasil tendo como principal atração seus donos, um grupo de sete irmãos... anões! “Pindorama - A Verdadeira História dos Sete Anões” é um brilhante documentário, onde as imagens (que devem ter dado a equipe muito trabalho para serem feitas, afinal todo o enquadramento, pontos de vista, subjetivas, tripés, etc. ficaram sempre na altura do elenco principal. Sim, elenco, porque eles não se comportam apenas como objeto do documentário, eles representam seus personagens, os palhaços-anões de um circo. Destaque para a trilha sonora e direção musical de Queiroga, que é um show a parte.

Mas e aí?

Ana Bárbara Ramos dirige o curta “Cabaceiras”. “De posse de um serrote, quatro cabaceirenses põem fim às falsas certezas sobre o nordeste brasileiro”. Isso é o que diz a sinopse do filme. Se alguém assistiu ou vai assistir, por favor, me escreva dizendo o que achou do filme, porque eu não entendi.

O Crime da Atriz é “o” curta!

Inês Peixoto, Eduardo Moreira, Fernanda Vianna. Esse é o elenco do Grupo de Teatro Galpão (MG), que dá vida ao conto de Arkadi Averchenko, onde uma atriz, inconformada com o reduzido papel que lhe foi designado pelo diretor, resolve mudar sua participação em uma peça teatral. Em meio à cena. Muuuito booom!

Maré: o West Side History de nossa época ou, Maré: o Rock Estrela do Século XXI ou Maré: Beth balança ao som do Funk

Lucia Murat mandou bem. Baseou-se no clássico “Romeu e Julieta” de Shakespeare, para dirigir sua “Maré, Nossa História de Amor”. Num caldeirão onde mistura funk, hip-hop, favela, tráfico, projetos sociais e street-dance, Lucia mostra o drama de um jovem casal que se ama, mas que mora em lugares diferentes de uma mesma comunidade e assim, “pertencendo” a facções criminosas diferentes. Vale à pena lembrar que cada época tem seu musical: “Alô, Alô, Brasil” (1935) de Wallace Downey, João de Barro e Al-berto Ribeiro para a Cinédia, “Amor, Sublime Amor” (1961) de Robert Wise, Os Embalos de Sábado a Noite” (1977) de John Badham, “Rock Estrela” (1986) de Lael Rodrigues. Por que então, em um dos momentos de maior diversidade artística e cultural no Brasil realmente popular, não termos também um musical que retrate isso? E que ainda nos remeta a “Porgy and Bess” dos Gershwin (foto). Já a festa pós-sessão, na Tenda em Copacabana, foi chata, com muita gente fumando (cóf-cóf!)

Corta!

Rolo