Páginas

domingo, 30 de março de 2008

Quem tem medo de Wilson Simonal?




Ao assistir ao filme "Simonal - Ninguém Sabe o Duro Que Dei", dirigido por Cláudio Manoel (sim, ele mesmo, o Seu Creysson do Casseta & Planeta!), Micael Langer e Calvito Leal”, pare para pensar: o que pode levar um país como nosso, mestiço, misturado, com uma das maiores populações negras do mundo, a tentar (e às vezes conseguir!) aniquilar as carreiras de seus artistas negros mais talentosos? Muitos foram vítimas de preconceito racial disfarçado de preconceito social (afinal, não dá no mesmo? Preconceito é preconceito. Ou um é menos ignóbil que o outro?): Elza Soares sofreu nas mãos de vários maestros e da torcida racista do Botafogo (corrigindo: de alguns torcedores e de parte da imprensa, na época!); o maestro Erlon Chaves foi censurado por suas apresentações no comandando da Banda Veneno (“Eu quero mocotó”) e, antecipando o que a Blitz faria muito tempo depois, ao ficar dançando e rebolando com duas cantoras louras e boazudas. Erlon repetiu muitas vezes nos interrogatórios que era bicha e o que os milicos consideravam violentíssimo atentado ao pudor nada mais era do que sua performance de palco; Elizeth Cardoso, Tim Maia, Bino (baixista da banda Cidade Negra) e tantos outros. Até mesmo Pelé, com toda a sua importância ainda é vítima de “preconceito intelectual”.

Não seria diferente com Wilson Simonal de Castro, um showman que fez um espetacular sucesso no Brasil dos anos 60 e incomodou com sua figura (um negro sorridente com 1,85m de ginga), seu som (preconceituosamente apelidado de “pilantragem” pelos críticos musicais da época), seu estilo de vida (carros importados e conversíveis na garagem, muita bebida e mulheres) e sua aclamação popular. Claro, um Brasil como o nosso, “ariano por natureza”, não poderia tolerar que um filho de empregada doméstica chegasse aonde chegou: comandar um show no Maracanãzinho com um coral de mais de 30 mil pessoas, ser o garoto-propaganda dos combustíveis Shell com um contrato milionário. E, principalmente, ser um ídolo popular. Os diretores do filme conseguiram, através de atualíssimas e coloridas vinhetas e animações, dar o caráter pop da época, resgatando fotos, jornais, capas de discos e imagens (Simonal canta The Shadow of Your Smile num dueto com Sarah Vaughan, completamente seduzida por ele), além de colherem emocionantes depoimentos de Chico Anysio, Pelé (outro negro tão famoso quanto o próprio Simona), os cartunistas Jaguar e Ziraldo (ambos eram diretores do Pasquim, jornal que ajudou a disseminar o boato de que Simonal era dedo-duro do Dops e que neste documentário (e cada um a seu modo) fazem um misto de mea-culpa e justificativas por terem tomado tais atitudes) e muitos outros. Curiosamente, Simonal foi derrubado pelo políticamente correto Pasquim e resgatado por um incorreto “casseta”.

Vítima de uma disfunção hepática crônica – degeneração das funções do fígado – decorrente do alcoolismo - Simonal morreu em 2000, aos 62 anos, sem ver sua importância artística reconhecida e tentando provar que fora vítima de uma cilada, ao ser acusado de ser informante da ditadura nos anos 70 e de ter mandado a polícia seqüestrar e torturar seu contador por desconfiar que este estivesse lhe roubando. O cantor viu seu sucesso definhar e viveu mais de duas décadas no ostracismo. Ao final do filme, enxugue as lágrimas e - se você for negro - pense sobre o país em que vivemos e se existe mesmo racismo ou - como dizem alguns "não-negros" –isso é apenas paranóia da sua cabeça.

A Bela e a Fera


Ela poderia ter feito um documentário totalmente imagético-pós-moderno, cheio de metalinguagens, videografismos, remixes de áudios e simbolismos que a colocariam na berlinda como a “mais nova revelação na direção de docu-mentários e tal...”. Mas a bela foi fera: dirigiu com a inteligente cautela de quem fica atrás das câmeras pela primeira vez, não deixando que o vanguardismo efêmero da tecnologia lhe seduzisse a ponto de transformar a fera romântica de voz bela num avatar figurativo de sua própria biografia filmada. Estamos falando de Patrícia Pillar. Estamos falando de seu primeiro filme, o documentário “Waldick, Sempre no meu coração”. Estamos falando do baiano Waldick Soriano, que desde os anos 60 tem tocado fundo no coração e na alma do povo brasileiro, com suas canções românticas e sua interpretação de barítono. A diretora soube respeitar as excentricidades de seu figurino de caubói, sua simplicidade ressaltada no olhar infantil por trás dos imensos óculos escuros (que segundo ele são a máscara à la Durango Kid), suas esquisitices regadas a uísque, coisas dadas aos gênios. Patrícia fez um singelo e tocante documentário sobre o cantor (utilizando imagens de arquivo dele em velhos filmes e até num programa Chacrinha - onde a aparição do jovem costureiro (eram chamados assim na época) Clodovil Hernandez no corpo dos jurados levou a platéia do cinema ao delírio) que é no fundo e na essência uma amostra da cultura popular brasileira.

Lanterninha: na animação de informações que é exibido antes da sessão, patrocinado por uma companhia de seguros, o urro do saquinho de pipoca que imita o Leão da Metro mais parece um arroto!

• Bilheteria: Hoje será exibido, na competição dos longas brasileiros, o polêmico e esperado filme Simonal – Ninguém Sabe o duro que dei, do casseta Cláudio Manoel, às 20h no Arteplex - sessão-extra a meia-noite - e reprise no domingo às 14h.

Os Senhores da Guerra



O Senhores da Guerra

Rumsfeld! Powell! Bush! Rice! Saddam! Nomes que parecem aquelas onomatopéias de pancadaria do seriado do Homem-Morcego dos anos 60. Mas que na realidade representam muito mais do que isso: são os nomes dos senhores da Guerra do Iraque, que ocupou noticiários do mundo inteiro de março de 2003 para cá e que mostrou a desastrada “Coalizão” (aliança entre os EUA e o UK) para a invasão do Iraque e que resultou num dos maiores massacres de civis e militares no novo século.

Através de diversos depoimentos de autoridades envolvidas no caso, Sem Fim à Vista (Noend in sight - indicado ao Oscar 2008,) do diretor estreante Charles Ferguson, faz um polêmico relato dos bastidores da campanha internacional promovida pelo presidente George W. Bush para a ocupação do território iraquiano em busca de armas de destruição em massa que, supostamente, Saddam Hussein teria em estoque e que, segundo o presidente americano, representavam um risco ao seu país, abalado desde então pelos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. Bush tomou a decisão de invadir o Iraque, sem a aprovação do Conselho de Segurança da ONU, mas com o apoio dos então chefes de estado Silvio Berlusconi (Itália) José María Aznar (Espanha) e Tony Blair (Inglaterra). Depois de um ano, captura e depõe Saddam Hussein, não encontra nada das armas letais, muda o discurso e passa a dizer que a ocupação faz parte da “libertação de países oprimidos por regimes ditatoriais e a promoção da democracia e da paz mundial”, o que se mostra falso e é desmentido pelos entrevistados e pelas imagens, que mostram um governo despreparado e incapaz até mesmo de proteger museus contendo parte da história da humanidade. As sessões, simultâneas em duas salas no cinema Unibanco Arteplex, estavam lotadas e ao final, fizeram o público sair comentando que as informações sobre o que acontece no mundo nem sempre são claras e verdadeiras, o que nos faz pensar quão prejudicial é o monopólio das comunicações no Brasil.

• Lanterninha: um bom e farto coquetel esperava os convidados ao final do filme. E que só perdeu para a visão deslumbrante de Patrícia Pillar.

• Bilheteria: Hoje o filme Sem Fim à Vista reprisa no Arteplex (Praia de Botafogo, 316) às 14h. E no mesmo cinema, às 18h, tem o documentário sobre o cantor Waldick Soriano, dirigido por Patrícia Pillar

É TUDO VERDADE MESMO !!!!

Pôrra, Almir Labaki! Teu Festival é muito bom! Não é à toa que está indo pra 13ª edição, e agora além do Rio e Sampaulo, Bauru, Brasília, Recife e Caxias do Sul. Um evento como esse deveria ser assistido por todos os brasileiros, pelo menos uma vez na vida, um dia no ano, uma sessão que seja! Ver documentários de várias partes do mundo e que talvez não se tenha a oportunidade de assistir novamente. Então, aproveitando que acabou essa overdose de BBB, vamos dar uma ‘espiadinha’ (eca! Argh!) no “É Tudo Verdade - Festival Internacional de Documentários” e tentar passar pra vc, leitor, o acontece nas salas escuras do Rio.

E... sshhh! A sessão vai começar!

(Valeu, Andréa Cals, Maíra, Cintia e toda a galera!)


sábado, 22 de março de 2008

Talvez o amor...

O mais sublime e puro dos sentimentos tem sido o grande desafio dos poetas e apaixonados por milhares de anos. Como definir o sentimento que se tem por ela? Como definir a entrega, as emoções que tomam conta de todo um corpo? Como dizer te amo sem parecer piegas? Sem parecer que se está jogando falas ao vento?

Camões disse que é o "fogo que arde sem doer". O apóstolo Paulo disse que "mesmo que eu falasse língua dos homens, sem amor eu nada seria". E tantos e tantos outros ao longo dos séculos escreveram também suas definições sobre o amor.

Particularmente eu gosto muito dessa, da letra de John Denver que coloca o amor no patamar da troca, da entrega total, do dizer que mesmo que ela nao me queira, o amor que lhe sinto, me basta. De fato é lindo. Espero que gostem tanto quanto eu.

domingo, 16 de março de 2008

Guia para conversar com motociclistas

Nelson Teixeira (Os Selvagens MC)



Há muito muito tempo atrás, não em uma galáxia distante, mas em uma outra região planetária, mais ou menos quando os animais ainda falavam eu comecei a andar de moto. Foi mais ou menos 1 petasegundo depois desse maravilhoso acontecimento que começou a encheção.

Então eu quero fazer uma lista direcionada aos “bem-intencionados” de plantão que tanto se preocupam com a integridade física dos motociclistas.

Antes de dizer qualquer das frases abaixo a um motociclista, especialmente a um velho motociclista, por favor, leia a resposta aqui, ao invés de encher o saco dele.


Frases do tipo chato


"Moto é perigoso"

Viver é que é perigoso. Você pode até morrer! Tudo na vida representa perigo. Vai deixar de sair de casa por causa disso ? Todos estamos correndo riscos nesse momento. Moto tem riscos como tudo na vida. Se você souber o que está fazendo, corre tantos riscos andando de moto quanto andando de carro ou outro meio de transporte qualquer. Se souber realmente o que está fazendo, pode correr ainda menos riscos porque a experiência mostra que muitos motoristas de veículos que utilizamos diariamente não sabem.


"Moto é muito perigoso"

Não não é. É o mesmo nível de risco de qualquer outro transporte se você souber o que tá fazendo.


"Mas moto é mais perigoso que carro"

Dependendo da situação pode ser até mais seguro. O fato das estatísticas percentuais de acidentes com moto serem maiores do que com carro, é causado por muitos pilotos utilizarem a motocicleta sem consciência e de modo inapropriado. O que falta é consciência.


"O problema não é você são os outros"

Concordo. Realmente o problema é galera que fica torrando a paciência. Essa aqui eu não aguento mais ouvir. Falando sério e pra quem não é motociclista, isso é o básico do básico em cima de uma moto. A atitude de um bom piloto de moto é de ficar cuidando o tempo todo com quem está por perto pra ver quem pode se tornar uma ameça para a moto. Sem isso moto é realmente perigoso. Para os motociclistas que não tiverem essa atitude no trânsito eu digo: deixe de pilotar, moto não é pra você!


"O pára-choque da moto é teu corpo"

O pára-choque da moto é minha cabeça e meu braço. Se eu tiver consciência e um mínimo de perícia, eu estou perfeitamente seguro.


"E se fura um pneu ?"

E se o motor o motor pegar fogo ? e se a corrente estourar ? e se cair uma bomba nuclear em cima ? Tostines vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais ? QUAL SERÁ AFINAL O SEGREDO DE TOSTINES PELAMORDEDEUS ??????? porra, se você não consegue dar manutenção à sua moto, compre uma moto compatível com seu salário. Pneu novo não estoura. Ponto. Na verdade essa frase é resultado de ignorância sobre como pneus e aros funcionam.


"Nessa velocidade qualquer coisinha no chão é fatal."

Toda velocidade deve ser compatível com o local e a moto utilizada. 300 Km/h pode ser seguríssimo e 60 km/h pode ser uma velocidade alucinantemente perigosa dependendo de onde você esteja. Em uma freeway europeia sem ninguém na pista e com uma Haybusa a 300 km/h eu garanto que estaria em perfeita segurança. Já a 60 Km/h no centro de Fortaleza às 18:30 com qualquer moto muito possivelmente você estará correndo um sério risco de vida.


"De carro já é perigoso, imagina de moto"

Depende com quem você esteja.


Frases do tipo ligeiramente menos chato


"Moto é caixão de defunto"

Caixão de defunto é maternidade. Todo mundo que nasce, morre. O problema não é morrer, é deixar de viver.


"Uma hora acontece"

Uma hora chove, uma hora você tem dor de barriga, em uma hora acontece uma pá de coisa. Essa hora pode chegar pra qualquer um em qualquer lugar. Ande ele de moto ou não.


"Não conte só com a experiência"

Não conto mesmo. Conto com a minha fé também. Mas aí vai de ter fé ou não. Se não tiver, vai contar com o quê além da experiência ? com a sorte ? quem tá de carro também precisa. Falar nisso eu defino sorte como um termo usado por quem não tem fé para a intervenção de Deus.


"E quando chove ?"

Já ouviu falar em capa de chuva ? motociclistas têm capas de chuva que permitem que eles chegem tão secos em algum lugar quanto quem anda de carro.


"Ah mas eu to aqui trabalhando, aqui tem seguranças, díficl acontecer alguma coisa"

Fala isso pro pessoal da TAM que tava trabalhando no prédio perto de Congonhas mês passado.


Frases que você ouve depois de 20 anos em cima de uma moto do tipo chato


"Uma hora carro vira necessidade"

Um bom motociclista não precisa de carro pra nada. Mesmo! Nem pra trazer compras do supermercado, nem pra levar filhos pra escola, nem pra mais nada. Pick-ups podem ser úteis pra cargas grandes, mas carro mesmo não. Pra isso existem side-cars, baús, alforges.


"E filhos ? como você vai levar eles ?"

Duas motos com side-car permitem a um casal transportar 4 filhos. Se tiver mais compra um reboque! Brincadeiras à parte, poucas pessoas têm mais de 1, 2 filhos hoje. Eu mesmo tenho só 1. Com um side-car eu já me garanto pra levar a família inteira. :)


Frases vindas de mulher
(leia-se um tom afetado)


Ai que cheiro de gasolina!!!” (saudações aos donos e ex-donos de RD 350 !!!)

Ai que cheiro de gente fresca!!! Pense como vai ser quando você tentar fazer alguma coisa mais "diferente" com uma dessas. Falow!!!


Acho moto muito desconfortável”

E eu acho você muito feia.


Ai eu não gosto de moto”

E eu não gosto de você!


Perigo depende do nível de consciência e preparo das pessoas envolvidas na atividade em questão. Muitas atividades têm algumas normas de segurança para poderem ser exercidas sem perigo. Para isso existem nas empresas os CIPAs da vida. E isso é para trabalho. Porque pras motos seria diferente ? Para você ter segurança pilotando uma moto precisa possuir alguns requesitos (em ordem de importância):

    1o. e mais importante de todos: Uma personalidade ativa! Ser lerdo em cima de uma moto é fatal! Nem suba.

    2o. Ter medo: O medo é o regulador. É ele que diz se você acelera ou freia. Não perder o medo mesmo depois de ter experiência é o que permite a sobrevivência a longo prazo em cima de uma moto. "Agora eu sou fodão" é uma frase bem conhecida como últimas palavras de vários malucos de plantão. Seja fodão, mas não deixe de ter medo.

    3o. Não se meter a valente: Moto é um veículo frágil. Se afaste. Se um carro vier pra cima de você ele vai te derrubar. Ponto. Por isso você tem que prever o que vai acontecer, o que nos leva para...

    4o. Pensar antes: A atitude em cima de uma moto não tem que ser assim: "Eu tô certo, ele que desvie" e sim "deixa eu me afastar antes que essa anta venha pra cima de mim". Se não, tá sujeito a você ficar todo quebrado no chão querendo discutir quem tem razão. É dever de todo motociclista intuir o que os outros a seu lado vão fazer.

    5o. Não ficar parado em cima da moto: checar constantemente o que está acontecendo em volta, para poder fazer o 4o item direitinho.

    6o. Manter sua moto com boa manutenção: Você pode conseguir uma frenagem com pneus novos e pastilhas em condições que você não conseguiria de outra forma e isso pode realmente salvar sua vida. Tá sem grana ? não deu mesmo ? ainda precisa andar de moto ? Diminua. Ande mais devagar e preste mais atenção. Na metade da velocidade que você costumava andar, você também exige menos de sua moto. Ande a 20 km/h se for preciso e deixe as buzinas pra lá.

    7o. Saber o que tá fazendo: A relação correta de frenagem no asfalto seco é 70/30, ou seja, 70% de frenagem com o freio dianteiro e 30% com o traseiro. Sob chuva a relação não se altera, mas a frenagem fica mais ineficiente. Por isso, diminuir a velocidade e se afastar mais, para possibilitar frenagens mais longas com segurança. Na terra a relação correta é de 50/50%, porque o freio traseiro tem muito mais participação, dependendo do caso, freie mais com o de trás, mas isso só vem mesmo com a experiência. Enquanto você adquire experiência use o 2o. item intensivamente. Acima de 35 km/h você vira o guidão no sentido contrário da curva em toda curva (contra-esterço). Parece estranho ? Tente virar o guidão a 60 por hora numa curva para o sentido dela pra ver o que acontece. Depois cê escreve do hospital me contando beleza ? (não seja idiota de tentar fazer isso certo ?). De qualquer forma se você prestar atenção na curva vai ver que não dá mesmo. Em suma aprenda a pilotar direito.

    8o. Não misture álcool e moto nunca. Aliás não misture álcool com nada. Aliás esqueça que existem bebidas alcoólicas. É o melhor pra você.

    9o. Buzine. Foda-se que o cara vai achar ruim. Buzine. O som é ótimo para tornar a moto mais visível.

    10o. Aprenda sempre, e incorpore isso na sua pilotagem, mesmo que tenha 50 anos em cima da moto. Isso vale pra outras coisas também.

Como dá pra ver, moto não é para todos. Moto é para quem nasceu pra ela. E também não é para marginal. Caso você não saiba, os motociclistas têm valores muito bons: União, Consciência, Aceitação das diferenças, Aproveitar a vida, Comunhão com a natureza, Sinceridade, Autenticidade, são todos valores cultuados pela comunidade motociclística. Motociclismo significa especialmente Amizade.

Por isso quando você estiver perto de um motociclista, seja verdadeiro. Ele tem muito a ensinar e a aprender com você. Não fique falando de desgraças. Se ele já tiver alguns anos em cima de uma moto já vai ter visto o suficiente, porque há muita gente sem consciência por aí. E o motociclismo tem muita coisa de bom para oferecer. Não seja chato. Foque no positivo e não no negativo. Abra seus conceitos. Aceite diferenças. Seja amigo. A essência do motocilcismo constitui-se de experiência e amizade.


Saudações estradeiras!!!


P.S.: Tem algum fâ que consiga me dizer de onde eu tirei "Frases do tipo chato" e "Frases do tipo menos chato" ?

terça-feira, 4 de março de 2008

Células-Tronco - Ou damos um passo agora ou caimos no abismo do obscurantismo

No próximo dia 5 de março o Supremo Tribunal Federal julgará a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 3510, que questiona a Lei de Biossegurança (Lei 11.105/05, artigo 5º) em relação ao uso de células-tronco de embriões humanos para fins de pesquisa e terapia.

A ADI foi proposta em 2005 pelo então procurador-geral da República, Claudio Fonteles. Na ação, ele defende que a vida acontece a partir da fecundação e ressalta que “o embrião humano é vida humana” e pede, assim, a inconstitucionalidade do dispositivo que permite o uso dessas células em pesquisas.

*.*.*.*.*.*.*.*

A miocardiopatia dilatada é uma doença cardíaca séria e extremamente grave. O coração, que é um músculo do tamanho de um punho, consegue ter mais de 20 doenças diferentes. Todas sempre muito sérias, e a miocardiopatia dilatada está entre elas. Conhecida popularmente como coração de boi, a miocardiopatia dilatada, como o nome diz, dilata o coração, faz com quele fique grande. Com isso ele perde força e gera insuficiência cardíaca, provocando no paciente dores, cansaço, dificuldade para respirar e fraqueza.

Há quase dois anos eu me descobri portador de miocardiopatia dilatada. Neto de avó vítima da doença, filho de uma mãe que infartou e morreu aos 55 anos, saber que eu era um miocardiopata foi como um soco no estômago. De repente eu, que nunca tive problemas sérios de saúde me vi limitado, fraco e o pior com perspectiva curta de vida. A doença é mais radical em homens, jovens e negros. E, coincidentemente eu sou homem, negro e jovem. Lendo sobre o assunto descobri que nos casos como o meu entre 2 e 5 anos, 70% dos pacientes morrem. Mas preferi ver o lado bom, é que 30% sobram e pretendo estar entre eles.

Para tratar a miocardiopatia dilatada temos uma série de remédios, em casos extremos o transplante de coração e agora, com um êxito extraordinário em quem já se tratou, as células-tronco. Eu mesmo estou inscrito no programa com células-tronco do Hospital do Coração de Laranjeiras, aguardando ser chamado. É incrível como esse tratamento tem sido bem-sucedido e com muito menos problema que o transplante. Portanto, é um caminho a ser seguido.

*.*.*.*.*.*.*.*

A partir de amanhã assistiremos a um julgamento histórico. De um lado, homens e mulheres que são considerados os mais doutos conhecedores do saber jurídico. São os melhores entre os melhores, os juízes do Supremo Tribunal Federal. De outro lado, os bispos católicos que, com o pensamento ainda no século XIX acreditam que a vida começa na concepção e que, portanto, as pesquisas com células-tronco embrionários devem ser suspensas. No meio disso tudo, uma linda mulher: Mayana Zatz, geneticista e diretora do Centro de Estudos do Genoma Humano (USP), a maior especialista brasileira no assunto e uma defensora incondicional das pesquisas.

Com a decisão a ser tomada amanhã, pessoas como eu, pessoas com deficiência física, pessoas que sofreram derrame, que sofrem do mal de Alzheimer, entre tantas outras doenças degenerativas conquistarão a possibilidade de ter melhor qualidade de vida, mesmo ainda tendo que conviver com suas doenças. Como já disse a doutura Mayana Zatz em várias entrevistas, o tratamento com células-tronco não é milagroso, mas aponta a possibilidade de grandes melhorias em vários casos.

A Igreja Católica, com sua postura anacrônica, mais uma vez se coloca contra a evolução do pensamento humano e não percebe que valorizar a vida é, antes de tudo, valorizar os que estão vivos. Portanto, tudo que esperamos é que o Supremo amanhã, pela valorização da vida, pela qualidade de vida das pessoas doentes, vote a favor das pesquisas e permita que o Brasil, liderado por pessoas como a doutora Mayana Zatz possa ser ponta nessa vertente tão poderosa da biotecnologia.

segunda-feira, 3 de março de 2008

Intolerância Religiosa - Uma realidade brasileira

Cantada em verso e prosa, a nossa multiculturalidade, nossa miscigenação e nossa malemolência tupiniquim estão seriamente ameaçadas pela intolerância religiosa que, de norte a sul, está dominando o país.

Não é preciso ser um grande estudioso para saber que num ambiente de desespero e de pouca cultura florescem com mais tranquilidade teses fundamentalistas e visões religiosas que apelam ao místico para buscar respostas para os problemas cotidianos das pessoas. Assim, não são as pessoas que têm problemas, é o diabo que faz com que elas tenham. Tire-se, pois, o diabo de suas vidas que tudo estará resolvido.

Por malandragem, conveniência, má fé e desrespeito, convencionou-se nos meios pentecostais e neo-pentecostais que a melhor representação do diabo como inimigo a ser combatido está nos cultos de matriz africana, onde elementos como Exu, que no sincretismo religioso - que, tal como jabuticaba e dólar na cueca, é coisa que só dá no Brasil -, é identificado com a figura do demonio. Portanto, onde grassa a ignorância, onde ninguém lê e se informa, até porque para entender o sincretismo é necessário o mínimo de estudo, o que se vê é, a cada dia, aumentar a necessidade de e combater o demônio, logo, combater as religiões de matriz africana.

Alguns anos atrás o bispo Van Helde, da Igreja Universal chutou uma imagem de santa na TV e isso virou um caso nacional. No entanto, a mesma Igreja Universal, todos os dias, a todo instante, ataca as religiões de matriz africana e tudo fica por isso mesmo.

Nas favelas cariocas pessoas que são ligadas ao candomblé e à umbanda estão sendo "convidadas" a se retirar por traficantes convertidos às igrejas evangélicas que, no entanto, continuam exercendo seu ofício, agora com as bençãos do Senhor, pois até mesmo cerimonias religiosas para traficantes estão sendo feitas nos morros por pessoas que se dizem pastores de igreja.

Não são poucos os casos onde babas e yalorixás têm sido expulsos, vítimas de violência física, mortos; terreiros atacadados e depredados, enfim, a intolerância religiosa faz parte do cardápio do dia.

Um ano atrás a Polícia Militar em Minas invadiu, a partir de uma denúncia anônima que ali funcionava um cativeiro, oIlê Unzo Atim Nzaze Iya Omin, ofendeu religiosos, agrediu pessoas e o caso só nao caiu no esquecimento porque organizações do Movimento Negro e religiosas agiram acionando os órgãos públicos tomaram as medidas cabíveis que o caso exigia.

Agora, mais recentemente, vem de Belo Horizonte um novo caso de intolerância religiosa. Depois de quatro meses para abrir uma conta bancária, necessária para recimento de recursos de projetos sociais e manutenção da própria casa de terreiro, a Mame’tu Kitaloiá da Associação Religiosa Ilê Jacutá de Iansã, acompanhada da coordenadora nacional do Centro Nacional de Africanidade e Resistência Afro-brasileira (CENARAB), Makota Celinha, ouviram de um gerente da Caixa Econômica a seguinte argumentação para a não abertura da conta corrente: “O conselho da agência após analisar a solicitação indeferiu o pedido da Associação, oferecendo a mesma apenas a possibilidade de abertura de uma conta poupança”. Indagado sobre o por quê disso, visto ser a Associação uma entidade registrada e inscrita no Conselho Nacional de Pessoas Jurídicas e se encontrar em dia com sua documentação e obrigações, a resposta dada foi a de que “assim como a senhora escolhe um banco para sua movimentação bancária, o banco escolhe o cliente com o qual deseja trabalhar. E neste caso a Caixa Econômica não se interessa por este tipo de cliente”. Indagado ainda se a motivação para esta postura, era pelo fato da Associação se tratar de um candomblé, o gerente respondeu que “a Caixa Econômica se sentia no direito de ter o cliente que lhe interessava, e que se quiséssemos o Conselho havia definido pela Conta Poupança”.

Na semana passada, a Prefeitura de Salvador resolveu derrubar o terreiro Oyá Onipó Neto, que está há 28 anos instalado no mesmo lugar. Dada a repercussão do caso, o prefeito retirou a ordem mas o estrago já estava feito. Grande parte do terreiro ruiu e com ele as imagens dos santos e os espaços sagrados do terreiro foram jogados destruídos. O prefeito ainda tentou um acordo com a mãe-de-santo da casa, mas organizações importantes do Movimento Negro e religiosas entenderam que o que estava se vendo ali era um grave caso de intolerância religiosa e racismo institucional, portanto, nao caberia apenas a resolução do caso deste terreiro específico, mas, antes de tudo uma retratação pública e a garantia da prefeitura de que situações como essa não mais se repetirão.

Para que isso ocorra o ogan do Ilê Oxumarê e coordenador geral do Coletivo de Entidades Negras, Marcos Rezende, entrou em greve de fome com o apoio de sua organização, de várias organizações do Movimento Negro e dos terreiros religiosos. Nos ultimos dias uma corrente de apoio e solidariedade tem se erguido de norte a sul do país a favor de uma resolução para o caso. No entanto, é visível a omissão de parlamentares, órgãos públicos (Seppir, por exemplo), grupos político-partidários, que simplesmente se calam, como se casos de intolerância religiosa não lhes dissessem respeito.

O Brasil está vivendo um momento complicado no que tange às relações étnico-raciais. No momento em que negros e negras passam a reivindicar espaços na educação formal, no mercado de trabalho, nos veículos de comunicação, na economia e nas esferas de poder, os racistas brasileiros e seus porta-vozes resolvem dizer que os negro é que estão querendo dividir o pais entre racistas e não racistas. Ou seja, quando a vítima de racismo se rebela, é, ela mesma, taxada de racista por aqueles que a discriminam. Uma total esquizofrenia social que, tal como a jabuticaba...

Enfim, o racismo a brasileira está na ordem do dia e com ele a intolerância religiosa. Atitudes urgentes precisam ser tomadas e não bastam apenas ficar nos discursos. É necessário que o Estado brasileiro se posicione, que órgãos públicos legislativos, executivos e judiciários estejam atentos ao que está acontecendo. Pois chegará o momento em que as vítimas começarão e se revoltar e passarão a reagir. E quando isso acontecer talvez será muito tarde para buscar soluções que já deveriam ter sido implementadas há mais de cem anos.

Wagner Montes "pede pra sair"

O tempo inteiro eu debitei o crescimento de Wagner Montes àquilo que denominei "efeito tropa de elite". O famoso "pede pra sair" e o "pega um pega geral, também vai pegar você" é que fez com que nosso querido povo, do alto de sua tão bem cuidada ignorância, resolvesse colocar o apresentador da "poliçada" em primeiro lugar nas pesquisas eleitorais. Eu imaginei que sua candidatura não se sustentaria nos debates pré-eleitorais. Mas não imaginei que o efeito tropa de elite fosse acabar tão cedo, como demonstra a nota abaixo do Blog do Noblat, de todo modo cuidado, a ameça de concorrer em 2010 é séria, o que obrigará nosso querido Serginho Cabral a ordenar que sua polícia mate mais jovens negros nas favelas para o deleite e sensação de segurança da classe média branca:

Líder das pesquisas no Rio desiste de concorrer

De Raphael Gomide:

Um dos líderes das pesquisas pré-eleitorais para a Prefeitura do Rio de Janeiro, o deputado estadual e apresentador de TV Wagner Montes (PDT) desistiu de concorrer ao cargo. Ele abdicou no sábado, depois de três debates internos do partido. Alegou que sua principal plataforma política é a segurança e pouco poderia fazer como prefeito -seu objetivo é o governo do Estado. Também afirmou que está no melhor momento da carreira na TV e não quer prejudicá-la nem se afastar da família mais uma vez para fazer campanha.

Wagner Montes nega que tenha pesado na decisão o fato de ser concorrente direto do senador Marcelo Crivella (PRB), senador e integrante da Igreja Universal do Reino de Deus, cujos líderes são donos da TV Record, onde o apresentador estrela o "Balanço Geral".