Páginas

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Tem que ter Estômago!


É isso aí, meu elenco! E segue a fita!

Na vida há os que devoram e os que são devorados”, é o que diz o início da sinopse do filme de ontem, publicada no site do Festival [http://festivaldorio.com.br/]. “Estômago”, do curitibano Marcos Jorge (premiadíssimo diretor de curtas e vídeos) fez o deleite da platéia do Palácio 1, misturando pobreza, marginalidade, falta de sorte e... comida! Uma verdadeira aula de gastronomia, culinária e cinema. Dos bons! Marcos Jorge consegue se igualar a Peter Richardson, com o seu “Eat the Rich” (Comendo os Ricos, 1987), e a Peter Greenway com “The Cook the Thief His Wife & Her Lover” (O Cozinheiro, o Ladrão, sua Mulher e o Amante, 1989), com sabor bem brasileiro. E você ainda pode assistir a um show de interpretação de TODO o elenco, com destaque para o ator João Miguel, no papel do aprendiz de cozinheiro Raimundo Nonato. Ainda dá tempo de assistir nesta sexta (28/09/2007)no Leblon 1 às 14h e às 19h.


Cinema ao vivo


O projecionista”, “Réquien GRANULAR” e “Concerto para Laptop”, de Nepal, Tomaz e DuVa, respectivamente, encheram nossas cabeças de som, batidões e muitas imagens sampleadas, loopadas e picotadas de uma centena de filmes, Sabe aquelas projeções que você vê em festas e raves, onde a batida comanda a edição? Pois é, isso mesmo, só que tudo feito ao vivo (?). Bem legal, mas não dá pra ficar mais de dez minutos assistindo. Vai rolar outra sessão na sexta a meia-noite no Odeon, passe lá e veja. Ouça. Entenda.


Um Órfão nas Ruas” de Yan Gong, Ming Zhao


Baseado na clássica HQ de Zhang Leping e Zhang Yueping, retrata as ruas da Xangai de 1948, onde o órfão San Mao, um garoto de rua com apenas três fios de cabelo espetados para o alto (em alusão ao popular personagem da história em quadrinhos), procura trabalho por todos os lados: junta lixo, engraxa sapatos e vende jornais. Uma senhora rica o encontra e leva pra casa. Lá ele toma banho, ganha roupas novas e um novo nome. E aí as coisas acontecem. Além de um belo trabalho de direção, de fotografia, de interpretação das crianças, as maquiagens estão impagáveis. Cinema bem feito em 1949. E em p&b, o que deixa o filme bastante dramático. Nada de novo para quem mora no Rio de Janeiro de hoje com meninos de rua e a nossa simpática indiferença. E ainda dá tempo de assistir este filme no Centro Cultural da Caixa, segunda (01/10/2007), às 19h e quarta (03/10/2007) às 14h. E pagando merrecas!


Mundo Gay


A Argentina vem com o filme “XXY”, de Lucía Puenzo, na Mostra Mundo Gay (que você pode ir sem medo, ninguém vai te agarrar lá não e nem você vai mudar sua orientação sexual depois de sair da sessão de cinema, hehehe!). Você tem a última chance de assistir nesta sexta (28/09/2007) no Estação Botafogo 1 às 23h59min. a história de Alex, que nasceu com as características sexuais de ambos os sexos. A família recebe a visita de um médico especialista em cirurgia estética que se interessa pelo caso clínico da jovem. Enquanto isso, Alex, de 15 anos, e o rapaz, filho do médico, se sentem atraídos. Uma história dramática, contada de maneira delicada e tendo no elenco o ator Ricardo Darín (o Rafael Belvedere de “O Filho da Noiva”).


Você ainda tem chance de assistir a esses filmes aí de cima, se liga nos horários!


Corta!


Rolo

A Mãe de Pantanha

É isso aí, meu elenco! E segue a fita!

Ontem, terça, assisti a três bons filmes: um documentário sobre Carlos Oswald, artista plástico que fez vários vitrais religiosos em diversas igrejas no Rio e em Petrópolis (RJ) e mais: fez o desenho do Cristo Redentor! É dele mesmo a cara e o jeitão do Cristo que você vê em fotos e cartazes de propaganda no mundo todo, que a senhora tem numa réplica em miniatura em cima da estante da sala, e que foi escolhido como uma das novas Maravilhas do Mundo. Criação desse Oswald.

E o filme - um longa dirigido por um dos rebentos do clã dos Faria, o Régis - é simples e bem feito, com uma linguagem que mistura imagens de arquivo, ficção (interpretadas por Fernando Eiras, nosso eterno ator-de-época-de-plantão) e cenas investigativas com dois atores-repórteres (Augusto Madeira e Cláudio Mendes) que suam (literalmente!) a camisa pra conseguir entrar em alguns dos lugares aonde Oswald tem sua obra exposta: salões da Assembléia Legislativa, Câmara dos Vereadores, Biblioteca Nacional e Museu de Belas Artes (que na época estavam em greve junto com todo o Ministério da Cultura). E o mais impressionante é que as pessoas que trabalham nesses locais e vêem as pinturas todos os dias nada sabem sobre o autor das obras. Se bem exibido, esse trabalho vai mostrar pra todo mundo a importância deste grande artista do impressionismo brasileiro, que deixou seu legado ao alcance e às vistas de todos nós.

Outra boa pedida foi “O Tablado e Maria Clara Machado”, documentário de estréia de Creuza Gravina, atriz carioca graduada em Comunicação Social e Informática, que encontrou uma bela forma de homenagear a escritora e o teatro onde estudou por quase nove anos. Parece que o Tablado e Maria Clara sempre existiram, pois todos os atores passaram (e passam) por lá.

E fechei a noite com “O Homem que Desafiou o Diabo” com direção de Moacir Góes, uma bela adaptação do livro “As pelejas de Ojuara” de Ney Leandro de Castro.

Na mesma época em que trabalhei no Pasquim (1985-1987), Neil de Castro publicou semanalmente alguns contos que, depois, se transformaram no livro “As pelejas de Ojuara”. E na redação, nós curtíamos muito as aventuras do caixeiro-viajante (que no filme é interpretado por Marcos Palmeira) José Araújo, que chega à Jardim dos Caiacós, seduz uma moça e é obrigado a casar. Acaba se submetendo por anos ao autoritário sogro e às manhas da mulher. Mas, um dia, reage e “vira bicho”, rebatizando-se de Ojuara, um caboclo destemido, pronto para defender os desvalidos. Uma epopéia que vale a pena ser assistida. Talvez você até encontre semelhanças desta película com Lisbela e o Prisioneiro, O Auto da Compadecida, O Coronel e o Lobisomem, A Máquina... Mas tem algo que a diferencia das outras que é a ... bem, assista o filme e descubra! Destaque para a negrada da melhor qualidade no filme: do ícone do Cinema Novo Antonio Pitanga até Leandro Firmino da Hora, passando por Antonio Pompeo e a trilha de Gilberto Gil.

Depois fui par festinha do filme na tenda que fica ali em Copacabana, onde além de ver a beleza de Flávia Alessandra (a Mãe de Pantanha) bem ao alcance dos olhos, trocar uma idéia com o Pitanga e o grande Barretão (capo do cinema nacional e produtor do filme) forrei o bucho (bem no clima do filme) com muitas comidinhas típicas do Nordeste. Êita!

NÃO PERCA! A negrada também fazia jornal! “A Imprensa Negra Americana: Um combate sem tréguas”, de Stanley Nelson é a grande pedida para os próximos dias. “Mesmo ativos desde o século XIX, os jornais dedicados à cultura negra são um dos segmentos menos conhecidos da imprensa norte-americana. Este é o primeiro relato sobre os jornalistas que, ajudando negros do sul do país a migrarem para o norte e honrando os soldados negros na Segunda Grande Guerra Mundial, arriscaram suas vidas para que seu povo fosse tratado com dignidade. Com imagens de arquivo e entrevistas a personalidades que participaram dos eventos (alguns deles dão depoimentos pouco antes de morrer), o documentário ganhou o prêmio Liberdade de Expressão no Festival de Sundance 1999.” Dias e horários e locais de exibição (tudo bem no centro do Rio) com ingresso-merreca:

  • Quinta - 27/09/2007 Caixa Cultural 2 16:45:00 hs
  • Sexta - 28/09/2007 C.C. Justiça Federal 18:30:00 hs
  • Sábado - 29/09/2007 Caixa Cultural 2 14:15:00 hs

Corta!

Rolo

terça-feira, 25 de setembro de 2007

É muito filme, é muito Rolo, e segue o Festival do Rio...

É isso aí, meu elenco! E segue a fita! Hoje é terça e nesses dias assisti a bons e maus filmes. Vamos lá!

Teve um “Panair do Brasil” de Marco Altberg, que mostrou, com muitas imagens de arquivo e depoimentos bastante comoventes de herdeiros da empresa (ou de sua legenda), funcionários e passageiros, a história da empresa pioneira na aviação comercial brasileira, símbolo de modernidade e eficiência. A empresa viveu o seu auge na era JK (1956/61). No tempo em que raros eram os negros que viajavam de avião e comissária de bordo tinha que ter “boa aparência”.

Teve o curta Sete Minutos, de Cavi Borges filmado em plano-seqüência que mostra o acerto de contas entre dois traficantes. Cavi é um batalhador. Merece todo o respeito por sua heróica luta e empenho pelo áudio-visual brasileiro. Cavi tem uma locadora de filmes (a Cavídeo), na Cobal do Humaitá. Cavi empresta filmes em VHS pra quem tá interessado em estudar cinema, Cavi abre portas pra quem tá afim de meter a mão na massa, Cavi é um herói nesse Rio muito louco. E tô elogiando o cara sem nem conhecê-lo.

Memória para Uso Diário, de Beth Formaggini, mostrou a um Odeon lotado e emocionado, a história do grupo “Tortura Nunca Mais”. Sua trajetória, desde a fundação até os dias de hoje, onde a polícia - que pagamos para nos proteger – ainda atua como os antigos órgãos de repressão da Ditadura Militar, violando direitos civis e torturando aqueles que eles supõe serem suspeitos, no caso, ou em todos os casos, os pretos das favelas.

Todos queriam saber Onde andará Dulce Veiga? A estréia oficial do filme de Guilherme de Almeida Prado foi uma das sessões mais badaladas da Première Brasil até o momento. Badalada na entrada e constrangedora na saída... Mas ficam no ar as perguntas: onde andará o cinema nacional? Onde andará o nosso dinheiro para financiar bobagens como esta, que só servem para engordar a conta bancária dos artistas globais e fazer o ego dos diretores ficarem mais e mais inflados? Onde andava minha cabeça quando chamei minha companheira para assistir a uma abobrinha dessas? Onde? Fujam deste filme, que nos ameaça com uma estréia em circuito comercial em breve e não satisfeito, ainda vai encher as prateleiras de locadoras Brasil afora. Ah, e tem um ator negro que faz um coadjuvante (Oxumaré) que serve de escada para o personagem Castilhos fazer aquelas velhas gags raciais que nos fazem lembrar daqueles filmes de Hollywood dos anos 40, onde Hattie McDaniel (foto) fazia aquela empregada de Vivien Leigh em E o Vento Levou...

Corta!

Rolo

Cinema de graça pra quem tá sem grana? Só no Rio, só em Copacabana!

É isso aí, meu elenco! E segue a fita! Como quem tem boca vai a Roma e quem tem contatos vai ao Festival do Rio, já estamos credenciados e a postos para mais um Festival de cinema que mobiliza muita a cidade. Mesmo fazendo um belo dia de sol como hoje, tem muita gente que prefere ficar no escurinho da sala de cinema, hehehe!

Vamos assistir a Competição de Curtas (“Pequenos Tormentos da Vida” do gaúcho Gustavo Spolidoro, que retrata o universo do poeta Mário Quintana, pela ótica das crianças; “Picolé, Pintinho e Pipa” de Gustavo Melo, premiado no 35º Festival Internacional de Filmes em Huesca, na Espanha, em 2007), a Competição de Documentário (“O Engenho de Zé Lins”, com direção de Wladimir Carvalho, mostra o perfil do escritor paraibano José Lins do Rego, enfocando desde os tempos da sua infância, no ambiente que imortalizaria em seus romances do ciclo da cana-de-açúcar, até a maturidade e glória literária; “Panair do Brasil” de Marco Altberg, resgata a história da empresa pioneira na aviação comercial brasileira, símbolo de modernidade e eficiência. A empresa viveu o seu auge na era JK (1956/61). No tempo em que raros eram os negros que viajavam de avião e comissária de bordo tinha que ter “boa aparência”) e a Competição de Ficção (“A Casa de Alice”, de Chico Teixeira, mostra a personagem-título, uma manicura de quarenta anos que divide a casa com sua mãe Jacira, o taxista Lindomar, seu marido há 20 anos, e seus três filhos). Tudo isso neste sábado! E ainda tem uma sessão de meia-noite com “Ainda Orangotangos”, de Gustavo Spolidoro.

Sem contar que ainda tem festinhas, coquetéis e muito cinema ao ar-livre, na Praia de Copacabana: nas areias da praia, projeções gratuitas de grandes filmes brasileiros e internacionais pra todo mundo que tá duro e que não tem grana pra pagar ingresso. A mostra “O Bonequinho Viu” montou o telão entre as ruas Siqueira Campos e Figueiredo Magalhães. Ontem passou Onde a coruja dorme, sensacional documentário sobre sobre o cantor Bezerra da Silva e seus parceiros, e Edu Lobo – Vento Forte, a respeito do compositor. Hoje é dia de Cartola, documentário sobre o compositor com imagens inéditas e Antonia, o Filme, de Tata Amaral, longa de deu origem a minissérie da tv e que a diretora soube tratar como ninguém o universo das mulheres negras das periferias paulistas.

Corta!

Rolo

Tem Rolo no Festival do Rio

É isso aí, pessoal. Nosso intrépido jornalista, publicitário, músico, cartunista, crítico e gente boa, Paulo ROLO Rodrigues, está crecenciado oficialmente pelo Palavra Sinistra para cobrir o Festival do Rio.

Isso é muito legal porque aponta duas coisas importantes, a primeira é ter um blog nivelado aos outros veículos de comunicação. Significa que estamos dando saltos qualitativos importantes já que os blogs hoje desempenham papel de veículos alternativos e com olhares específicos sobre alguns temas.

O que nos leva exatamente à segunda questão, que é o fato de Rolo ser um jornalista negro, comprometido com a temática étnico-racial que certamente nao deixará passar em "branco" certas nuances do festival.
Bom trabalho pra ti, amigo Rolo e visitem o Palavra para saber o que rola no festival a partir do olhar sagaz do Paulo Rolo Rodrigues.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Festival do Rio de Cinema - Nós estaremos lá


Começa amanhã o Festival do Rio e o Palavra está tentando credenciamento para cobrir esse evento e trazer para você, leitor, uma perspectiva diferente do que tá rolando de melhor e mais interessante nesse festival, que reúne documentários, ficção, longas, médios e curta-metragens do Brasil e do mundo. Fique ligado.