quarta-feira, 19 de abril de 2006

Coisas impressionantes que vi e me lembro

Fazer o quê? O que faz a alegria da Internet são as listas e eu, como já mandei uma ou outra por aqui, não posso deixar passar essa. Eu vou listar algumas coisas mas peço que vocês entrem nos comentários e também listem outras tantas, ok? Vamos lá então.

1) Abertura das comportas de Itaipú - Eu era moleque ainda, o Brasil Varonil governado pelos militares caminhava célere para se tornar potência. A abertura das comportas de Itaipú era prova viva de que nosso momento chegara. E a visão era impressionante. Bilhões de litros d´água jorrando com uma força descomunal. Sem dúvida uma imagem que deve ser guardada para sempre. Agora, como prova de que nossa hora não chegou e que ficamos parados no tempo a China está prestes a inaugurar a Usina de Três Gargantas, segundo alguns, quase duas vezes maior que Itaipú;

2) As conquistas do Brasil na Copa do Mundo - Como eu sou de 71 e o último título era de 70, eis que de 74 não lembro (morava na roça), de 78 lembro mais das comemorações que dos jogos. Mas tenho clara lembrança de 82, 86 e 90. E eis que de repente ganhamos uma, fomos vice em outra e ganhamos outra de novo. Fantástico, impressionante, começou até a ficar meio chato: "ih, lá vem o Brasil de novo pra ganhar mais uma Copa". Espero que isso seja verdade e ganhemos neste ano. Afinal temos um conjunto que tem tudo para ser um dos melhores da história;

3) O fim da União Soviética - Desculpem a breguice da confissão mas eu fui daqueles que jogava xadrez bebendo vodka e ouvindo a versão russa da Internacional. De fato, fiz parte de uma geração que ainda acreditou na Revolução. Eu fui do Comitê Estudantil Luiz Carlos Prestes, formei sua guarda de honra por ocasião de seu sepultamento, enfim, eu fui um comunista. Pois bem, a dor de ver a bandeira soviética sendo recolhida do mastro foi terrível e impressionante. A mim doeu como a morte de um parente e, por incrível que pareça, depois que o mundo se tornou pior do que já era, ainda dói;

4) Tsunami na Ásia - Eu tenho um grande medo na vida que é de qualquer tipo de aracnídeo. Convivo, portanto, desde guri, com as piadinhas maledicentes de amigos e colegas. Mas tenho um pavor maior que são as ondas gigantes. Nada me impressiona mais. Com os olhos arregalados e o corpo tenso já havia lido e ouvido relatos de ondas gigantes em vários lugares do mundo. No entanto, assistir quase que em tempo real os enormes vagalhões invadirem cidades inteiras e matarem quase 300 mil pessoas foi uma das coisas que mais impressionou em toda minha vida. É algo que espero chegar aos meus 90 anos sem ter que assistir novamente;

5) Morte do João Paulo II - Parecia que o sujeito era eterno. Já havia tomado tiro, caído em casa, quebrado não sei quantos ossos, sofrido com várias doenças e mesmo assim o Karol não morria. Num belo dia, porém, ele se foi. Para os católicos um momento de grande tristeza. Para muitos, inclusive eu, indiferença. A se lamentar a morte de um ser humano, seja ele quem for, o fato é que João Paulo II foi um dos grandes artífices da construção de um mundo pior no pós-comunismo soviético. Em sua luta insana contra o regime socialista, o Papa aliou-se incondicionamente a Reagan e sua doutrina e o resultado vemos hoje. Um capitalismo cada vez mais desumano, um consumismo desenfreado e uma Igreja Católica perdida no tempo, mantendo-se muito mais por sua tradição do que por sua capacidade de dialogar com o mundo em que vive. Ah, e ainda tem o Ratzinger, pra comprovar que se algo tem condições de ficar pior, com certeza ficará;

6) A morte do partido da ética - E eis que de repente, depois de várias tentativas o torneiro mecânico chega ao poder e com ele a alegria e esperança de todo um povo. Eleito no primeiro turno, com a maior votação da história do país, a primeira coisa que Lula e seu comissariado (com a licença do Gaspari) fez foi construir acordos no Congresso para garantir uma base de apoio. Ora, nos primeiros meses de governo, onde em qualquer lugar do mundo o Congresso é condescendente com o Executivo (ainda mais naquele momento), tudo deveria ser feito, menos acordos de bastidores. Mas não, a visão política equivocada foi em busca de acordos, que viraram negociatas, que se transformaram em mensalão, que viraram palco para o Roberto Jefferson dançar, que se transformaram em dominó onde, um por um, foi caindo o que se denominou de núcleo-duro do governo. Agora, chegando o período eleitoral de 2006, temos a incerteza da vitória do Lula mas a certeza de que, mesmo que ganhe, será um presidente tão ou mais fraco do que foi Sarney. E com isso mais uma vez o Brasil ficará aguardando o momento em que, independente da fragilidade e mediocridade de seus atores políticos, poderá, finalmente, atingir todo o seu potencial.

Logicamente eu teria outras coisas a listar, mas como quero dar oportunidade a vocês e estou seguindo as recomendações de Crhistian e Vânio de não escrever textos muito longos, paro por aqui e fico no aguardo. Ah, não deixem de ler o post abaixo sobre o Mestrinho.

Um comentário:

Helena Costa disse...

Márcio, muito bom o texto sobre o Mestrinho (excelente título!) e bacana sua lista. Eu teria que pensar mais na minha (libriana indecisa) mas a 1a. coisa que me veio à cabeça foram as torres gêmeas, claro.