quinta-feira, 28 de abril de 2005

Você tem que rebolar, rebolar, rebolar

Eu confesso que gostava mais do Lula quando ele chorava. Lembro que no início do mandato alguns veículos chegaram inclusive a demonstrar certa irritação com seus rompantes de choro. Mas ali ele ainda estava sendo autêntico. Infelizmente o Lula não chora mais.

Passados dois anos e meio de mandato Lula está cada vez mais parecido com aquilo que ele nunca tinha sido antes: um político profissional. Não só no modo de se portar (que mudou), mas principalmente nas coisas que fala.

Lula sempre falou muito. Coisa de sindicalista. Gosta de falar e sabe falar, mas às vezes... Eu testemunhei na Uerj ele dizer que o Brizola para ser presidente seria capaz de pisar no pescoço da própria mãe. Tudo bem, tá legal, depois também testemunhei, no Rio Centro, o Brizola dizer que no segundo turno de 89 o PDT deveria apoiar o sapo barbudo. Ele fala muito. E como todo mundo que fala muito às vezes ele resvala para o desagradável, o ambíguo ou simplesmente a pura asneira.

É o caso da declaração dele dessa semana de que o brasileiro deveria mexer seu traseiro e buscar juros mais baixos. A impressão que tenho, às vezes, é que ele tem uns lapsos. Acho que tem hora que ele simplesmente esquece que é o presidente da república e age como se ainda fosse candidato pelo PT.



Francamente, acho que acontece alguma coisa quando se chega à presidência da república no Brasil. Os caras realmente esquecem tudo que escreveram, tudo que disseram e tudo o que fizeram. Com o Lula não está sendo diferente.

Mas o mais incrível é que no fundo, no fundo, ele parece acreditar que está fazendo alguma diferença. E é aí que a porca torce o rabo. Quando ele foi eleito sob o mote de que era a esperança vencendo o medo e que as mudanças viriam, todos acreditaram nisso. Nos quatro primeiros meses de mandato ele poderia ter feito o que quisesse. A oposição estava atordoada, o apoio popular era imenso, a mídia ainda não sabia que apito tocar. Era o cenário ideal. Mas ele optou por mandar recados conservadores aos grandes barões da banca financeira internacional. Mais tarde resolveu ampliar sua base praticando o pior tipo de política que se tem em nosso país até chegarmos ao triste episódio do Severino.

Fico com a impressão que um dia o Lula vai olhar pra trás e vai pensar: "eu lutei tanto pra chegar onde cheguei e o que aconteceu de diferente?, nada". Creio que seja isso o que pensa um cão quando está perseguindo um caminhão e de repente ele pára. Dá pena, Lula, dá pena.

Um comentário:

Anônimo disse...

Hoje Mon Amis, 26.05.2007,suas colocações seriam mais funestas.
Quê, Quem é confiável no País?
À mando de quem a PF age?
Tudo e todos são corrompíveis.
Contudo, as metralhadoras são
disparadas em alvos dirigidos..
Objetivam desviar as atenções
da Nação do foco principal, ou
focos... Nem mesmo temos um exército capacitado a tomar o poder... Hay que surja um com grandes culhões, ou que os empresários, os canalhas corrompedores, resolvam mudar, financiando uma revolução moral!
Será possível? Estarei morto.
Los campesinos e desabrigados
investem pesado.Até Usina tomaram... Escrevemos merda.Ninguém,toma tento...2 anos e ninguém leu teu blog!
Aqui caí pela cara-de-bunda.