Páginas

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Ela não se importa se você é preto ou branco

"Ela não se importa se você é preto ou branco"



I took my baby
On a saturday bang
Boy is that girl with you
Yes we're one and the same
Now I believe in miracles
And a miracle
Has happened tonight

But, if
You're thinkin'
About my baby
It don't matter if you're Black or white

They print my message
In the saturday sun
I had to tell them
I ain't second to none

And I told about equality
An it's true
Either you're wrong
Or you're right

But, if
You're thinkin'
About my baby
It don't matter if you're
Black or white

I am tired of this devil
I am tired of this stuff
I am tired of this business
Sew when the
Going gets rough
I ain't scared of
Your brother
I ain't scared of no sheets
I ain't scared of nobody
Girl when the
Goin' gets mean

(L.T.B)
Protection
For gangs, clubs,
And nations
Causing grief in
Human relations
It's a turf war
On a global scale
I'd rather hear both sides
Of the tale
See, it's not about races
Just places
Faces
Where your blood
Comes from
Is where your space is
I've seen the bright
Get duller
I'm not going to spend
My life being a color

Don't tell me you agree
With me
When I saw you
Kicking dirt in my eye

But, if
You're thinkin'
About my baby
It don't matter if you're
Black or white

I said if
You're thinkin' of
Being my baby
It don't matter if you're
Black or white

I said if
You're thinkin' of
Being my brother
It don't matter if you're
Black or white

Ooh, ooh
Yea, yea, yea now
Ooh, ooh
Yea, yea, yea now

It's black, it's white
It's tough for you to get by
It's black , it's white, whoo

It's black, it's white
It's tough for you to get by
It's black , it's white, whoo

(Black or White)

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Caso Canabrava :mais uma mãe negra morre em Salvador

Todos os dias pela manhã quando acordo procuro me manter informada dos acontecimentos locais, nacionais e internacionais.

Leio os jornais de grande circulação da cidade onde moro ,Salvador a exemplo do jornal A Tarde, como também assisto a telejornais e programas policiais para solidificar a minha responsabilidade enquanto porta voz do meu povo.

Tenho identificado que esta responsabilidade perpassa falar de cultura, artes, religião e música enfim de eventos, que me auto-definir enquanto membro de um grupo étnico-racial é também me posicionar no plano político e ideológico, uma vez que membros do meu grupo estão todos os dias expostos a humilhação nos meios midiaticos e que na condição de repórter e mulher negra não posso de forma alguma me comportar de maneira imparcial perante estes fatos sem me sentir parte destes problemas.

Esta manhã não foi mais uma manhã em que eu apenas assistir, li e me indignei com as noticias , ela foi diferente porque não da mais para suportar, então, decidir soltar o verbo nos meios de comunicação deste estado porque Salvador esta lavada de sangue negro.

Agô, forças ancestrais para que eu possa transgredir as regras dessa academia imparcial para falar de uma dor que é irreparável , de um assunto de extrema seriedade na sociedade brasileira, de fatos recorrentes na sociedade baiana.

Ontem(16) por volta das 20 horas três jovens negros foram executados dentro de casa pela policia, os três irmãos – Edmilson Ferreira dos Anjos, 22 anos, Rogério Ferreira, 24, e Manoel Ferreira, 23 .

O fato esta exposto nos jornais de grande circulação da cidade, porém a minha ótica é para além deste fato é na conseqüência , na desestrutura das famílias negras do bairro de Canabrava, submetidas à guerra urbana e tratadas como se não tivessem direitos à segurança publica , como se fossem as culpadas pelo caos social,na morte psicológica não só da senhora Maria Conceição mãe destes três jovens negros como também de várias mães negras desta cidade que presenciam o extermínio dos seus filhos sem direito a defesa, porque os déspotas tratam imediatamente de contextualizar os fatos afirmando que os jovens negros (as) envolvidos em situação de violência são membros do tráficos, não se enganem meu povo!Afinal estes mesmos déspotas e tantos outros aprenderam com as idéias cientificista e racistas do século XIX “Nina Rodrigues” e seus discípulos a definirem o fenótipo dos supeitos (as).

Ao me deparar com o discurso da senhora Maria da conceição foi inevitável não pensar na possiblidade da minha mãe negra também ser vítima desta violência. Leiam na intergra o que ela falou para o jornal A Tarde[...] que os filhos não teriam envolvimento com o tráfico de drogas e nem com o homicídio.

“Eles não iam ficar em casa, onde foram mortos, se estivessem envolvidos, ainda mais vendo um monte de policiais na rua”, se desesperou a mãe”.[...]

A violência não esta explicita neste depoimento ela esta para além dele porque a morte psicológica em casos como este é irretratável , os policiais pediram para que dona Maria Conceição se retirasse da sua casa para executar seus três filhos.

Ai, eu tentei me transportar para o sentimento, para dor desta mãe negra, a me questionar se existe alguma força superior ou alguém que consiga conforta-la neste momento.

Movimento negro deste estado, deste país e agora qual será o nosso posicionamento com relação a esta situação? O que vamos fazer para garantir o acesso jurídico destas famílias, como será a nossa intervenção no amparo a dona Maria Conceição e toda sua família? Será que este fato será mais um número no índice de pesquisa sobre violência? Deixo aqui as minhas reflexões e setimento pois à primeira conferência nacional de segurança pública esta se aproximando com o tema segurança e cidadania:participe desta mudança! E aqui em Salvador a madeira continua comendo no centro.

Repórter Ana Paula Fanon

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Religiosidade de Matriz Africana e o MN - Um novo momento, novas construções

Houve uma época em que afirmar que a religião era o ópio do povo não só era uma necessidade como, também, uma forma de estar antenado com o pensamento descolado da esquerda revolucionária. Ainda hão de ser contadas, no entanto, as tantas histórias de esquerdistas que buscaram nas Casas de Axé o porto seguro para se esconderem da ditatura e de seus asseclas.

Este texto, no entanto, tem o objetivo de pontuar questões que se tornam a cada dia mais essenciais para nós, que lidamos com o cotidiano da militância negra e atuamos em frentes de batalhas cada vez mais amplas.

Estamos às vésperas da II Conferência da Igualdade Racial promovida pelo Governo Federal, no marco da Secretaria Especial de Promoção de Políticas para a Igualdade Racial (Seppir), e um fenômeno precisa ser destacado na construção desta conferência que é exatamente o altíssimo nível de mobilização das religiosidades de matrizes africanas para participar, interagir e decidir sobre os rumos desta conferência.

Na Consulta Religiosa, realizada em Brasilia na semana passada, foi aprovada a criação do Forum Nacional da Religiosidade de Matriz Africana, ato contínuo, este fórum que já existe na Bahia, acaba de ser criado no Rio e começa a ganhar contorno em Sergipe. Além disso, sabemos que iniciativas como estas estão sendo tomadas em vários estados do país. Ou seja, as mais velhas e os mais velhos estão há cada dia saindo mais dos terreiros para avançar na discussão política. Um salto de qualidade, sem dúvida.

Sabemos que há mais de 300 anos os terreiros de Candomblé são espaços de resistência política, cultural e religiosa da população negra brasileira. Portanto, nada mais natural que no início de um novo século onde, a intolerância e o desrespeito ainda grassam, um conjunto considerável de religiosos perceba que o embate deve se dar no seio da sociedade e não fora dela. Saudamos, pois, iniciativas como estas descritas acima.

A nós, operadores políticos, dirigentes nacionais e também religiosos, nos cabe outro papel. O de facilitadores das ações, o de pavimentadores das avenidas para que estas velhas e estes velhos passem. Nosso papel é de construir pontes de diálogos, de valorizar o saber ancestral e, ao mesmo tempo, fazer com que este saber dialogue com a "realpolitik" onde se tomam as decisões e se definem os rumos.

Não devemos discutir ritos, formas, liturgias, conteúdos, mas nos atermos ao papel que nos cabe não só como religiosos, mas como operadores. A nosso ver, como Coletivo de Entidades Negras, iniciativas como estas fortalecerão a religiosidade em seu conjunto, não fazendo emergir um ou outro porta-voz da religiosidade, mas dando ao conjunto da religiosidade em si, a voz para fora que ela nunca teve, mas que para dentro tal como as forças emanadas por Xangô, orixá da justiça que, sempre atento, castiga os mentirosos e os covardes e valoriza a verdade acima de tudo.

Marcio Alexandre M. Gualberto
Coordenador Nacional de Política Institucional do
Coletivo de Entidades Negras - CEN