domingo, 5 de agosto de 2007

Qual o preço de um homem?

É difícil responder essa pergunta, mas não é impossível imaginar que cada um tenha o seu. Alguns valem mais, outros menos. Nos recentes escândalos da política nacional vemos sujeitos se corromperem por 3 mil reais e outros que se corrompem por milhões. Cada um põe seu valor e o populacho que se dane, seja nos aspectos relacionados à corrupção seja em outros que a gente vê por aí.

Assistir o senhor Mikhail Gorbachev fazer campanha para a Louis Vuitton junto aos escombros do que sobrou do Muro de Berlin me traz a sensação de que Gorbachev está fazendo valer seu preço. No final dos anos de 1980 Gorbachev, João Paulo II e Ronald Reagan foram os grandes artífices do fim de uma guerra que terminou sem um tiro. Juntos, fizeram ruir por dentro o império Soviético que, se por um lado provocava terrores anti-comunistas em alguns, por outro gerava junto aos EUA o equilíbrio necessário para que o mundo fosse um pouco melhor.

O fim da União Soviética e a assunção dos EUA como única potência hegemônica tornou o mundo mais perigoso, como comprovam as intervenções no Iraque e Afeganistão, e a ofensiva israelense contra os palestinos - além, é claro, de ter transformado a ONU em um simples bibelô decorativo no cenário político internacional.

Gorbachev com sua Glasnost e sua Perestroika virou cidadão do mundo. Tornou-se Homem do Ano da Revista Times, foi premiado mundo afora e odiado em seu próprio país. Agora, no outono de sua vida se presta ao mais ridículo dos papéis, e o pior, posando de ícone de um mundo moderno, quando na verdade ele é um dos grandes pais do atraso.

A Louis Vuitton pagou o preço de Gorbachev. Talvez a bolsa ao lado tenha ficado de gorjeta.

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