quinta-feira, 18 de maio de 2006

Os ataques do PCC, a falência do Estado e o incrível Homem-Taturana

Aquela famosa frase: "há coisas que só acontecem com o Botafogo", aplica-se cada vez mais ao país. De fato, quando pensamos que já vimos de tudo eis que somos surpreendidos com novidades cada vez mais surreais.

Os ataques terroristas e covardes do PCC no estado de São Paulo, antes de atentar contra a polícia atenta contra o estado de direito. Exatamente pelo fato de empunharmos a bandeira dos direitos humanos é inaceitável que marginais assumam o comando e determinem indiscriminadamente a morte de policiais, agentes penitenciários, bombeiros e civis. Aceitar, por um minuto que seja, que há algum tipo de justificativa em ações como esta é rasgar a Constituição e jogar fora a luta de tantos e tantas que tombaram para garantir que vivêssemos num país democrático.

O Estado brasileiro há muito mostra-se falido no combate à criminalidade. E quando falamos do Estado falamos do tripé básico constituído pelo Legislativo, Judiciário e Executivo. O Legislativo está atrasado no tempo, não atualiza as leis, não endurece o que é necessário endurecer. Na verdade, como dizia o povo do Pasquim (se não me falha a memória), nossos parlamentares não endurecem as leis porque têm medo de um dia serem enquadrados nelas. Mas a verdade é que não dá mais. Não dá para aceitar a possibilidade de réu primário, redução de pena e por aí vai. A delinquência é delinquência e como tal deve ser tratada. O Estado precisa endurecer a lei e ao mesmo tempo avançar na recuperação do delinquente. Para isso há que se mexer no sistema prisional e aí o Executivo mostra toda a sua ineficácia. O Judiciário, por seu turno, tem demonstrado o quanto a lei serve para uns e não para outros e isso gera revolta e ao mesmo tempo fortalece a cultura da impunidade.

Por fim, há que se observar uma questão muito simples. A política e os políticos brasileiros nunca tiveram tão mal avaliados pela população quanto agora. Fato é que falta estatura aos homens públicos brasileiros. O atual governador de São Paulo, Claudio Lembo (com seu jeitão de personagem de desenho animado: Gargamel dos Smurfs? Homem-Taturana?) ao rejeitar sistematicamente a ajuda do Governo Federal chamava-nos a todos de idiotas ao afirmar que tudo estava sob controle. Nada estava sob controle e só de se controlou quando o acordão com o chefe do PCC foi firmado. Este é o fato. Nós estamos diante de governos que se dobram à criminalidade e aceitam fazer acordos com os tais "chefes".

Não muito tempo atrás o mesmo ocorreu no Rio de Janeiro por conta do roubo das armas do Exército. Por mais que se negue, por mais que se esperneie, o fato é que houve acordo sim. Pois é sabido e havido que os morros do Rio de Janeiro hoje são feudos em que só se entra negociando-se com a bandidagem. Até o Michael Jackson sabe disso e negociou, mais de uma década atrás, sua entrada no Morro Santa Marta.

Está na hora de jogar ao chão as máscaras da hipocrisia e se construir um grande acordo coletivo em que o simples ato de jogar papel no chão não seja tolerado como "coisa comum". O nosso grande erro, a grande mácula de nossa personalidade nacional é que achamos comum o que é inaceitável. Achamos comum ver crianças nas ruas; achamos comum ver pessoas mexendo nos lixos para procurar comida; achamos comum as pessoas viverem em favelas e palafitas; achamos comum os meninos cada vez mais jovens empunharem armas e as meninas emprenharem cada vez mais cedo; achamos comum que surjam "lideranças" do crime há três por quatro; achamos comum que se façam acordos com essas ditas lideranças; achamos comum que policiais tomem dinheiro de bandidos e que se fume um baseadinho sem compromisso sem imaginar que esse baseadinho faz parte de uma corrente manchada de sanguem. Enfim, temos que jogar fora essa cultura e retomar o sentido de indignação; do rigor ético; dos valores mais caros para nós, nossos filhos e nosso país.

2 comentários:

Milla disse...

Bom dia. Meu nome é Milla e sou de Brasília. Sou estudante e edito um zine por aqui. Por acaso, encontrei uma coluna que você escreveu na Afropress, em outubro do ano passado, sobre a ameaça do ressurgimento dos nazistas e suas ameaças no país. Aqui em Brasília esse grupo também vem ameaçando e agredindo as "minorias"... Gostaria de saber se posso publicar seu texto no zine que sai mês que vem ou se você gostaria de escrever algo sobre esse assunto para a publicação. Se quiser também pode me mandar um endereço para que eu envie alguns exemplares pra você via correio. A idéia é montar uma rede cada vez maior de mídia e movimentos alternativos para combater as atrocidades que encontramos todos os dias no brasil. Meu e-mail é mplemilla@hotmail.com ou Milla.Paula@planalto.gov.br
Obrigada e aguardo uma resposta sua.

Marco Aurélio disse...

Marcio

A única semelhança minha com este Desgovernador de São Paulo são as sombrancelhas grossas.Esta onda de terrorismo do PCC é um problema grave, tão absurdo quanto a fome no país. Não podemos esquecer que grande parte de nossas crianças estão abaixo da linha de pobreza e aliás, esse é um dos motivos dessa exploração sexual infantil. Viu os dados Da PNAD de 2004?

Um abraço

Marco Aurélio