domingo, 2 de outubro de 2005

Campanha do Desarmamento - O Sim começou mal

Antes de tudo quero deixar bem de que lugar eu falo. Dois anos e meio atrás atrás meu pai foi morto na cidade de Guayaramirin, na Bolívia. Esta cidade é fronteiriça ao Brasil e divide-se com este nome no lado boliviano e Guajaramirin, no lado brasileiro. Temos parentes na região e meu pai criava gado e cabras juntamente com um sobrinho dele naquela localidade. Meu pai foi assassinado para que pudessem roubá-lo. Foi isso que aconteceu.

Quando eu era guri e morava em Linhares quase fui morto por um tiro acidental de um tio meu na hora em que ele estava limpando suas garruchas. Eu estava sentado no quintal e o tiro acertou uma lasca de madeira há menos de meio metro de onde estava minha cabeça. Depois daquilo meu tio se desfez de todas as suas armas. Sem contar os dois assaltos que sofri com arma apontada pra minha cabeça.

Falo, portanto, de um espaço onde a dor e o risco fazem parte da minha história. Não estou dando canelada, falo de uma perspectiva real e sofrida que, tal como uma chaga, fica guardada pra sempre na lembrança e dá raiva, ódio e dor, muita dor...

Ontem começou a campanha do desarmamento. A fórmula é honesta e democrática. Nove minutos de programa, tempo dividido igualmente entre os defensores do Sim e do Não. Em termos de conteúdo, confesso que o Não me disse mais que o Sim. Os defensores do Não partiram de argumentos concretos que tocam em qualquer um que seja pai, mãe ou que se ponha como protetor e guardião de sua casa e de sua família. Afinal, temos a obrigação de pensar na nossa segurança e na proteção dos nossos em primeiro lugar. Nada dacroniano, nada dizendo que bandido bom é bandido morto mas, racionalmente dizendo: você entrega sua arma, o bandido entregará a dele? E esse é um argumento forte.

Mas isso não importa, até porque minha opinião está formada e voto Sim desde o início e por ele faço campanha inclusive neste blog.

Vamos então à campanha do Sim. Fraquinha, fraquinha!! Primeiro com aquela cara de esquerda festiva que tanto marcou o PT nos ultimos anos. Apelos emocionais e emocionados. Atores que não se desfazem do papel e atuam artificialmente. Perdoem-me os publicitários do Sim mas, francamente, a Regina Casé parecia que estava no Pé de Quê e eu estava vendo a hora em que o Lázaro Ramos falaria da audição ou do tato. Esse modelo esquerda festiva que o Viva Rio com muita eficácia vem copiando em suas campanhas institucionais pode até servir para quem mora da Glória à Barra, mas do Túnel Rebouças pra cá, e provavelmente no restante do país, essa linguagem não diz muita coisa. É muito jeitinho Zonal Sul. É muito marcha pela paz na Orla de Copacabana. Ou seja é bonitinho mas tem pouco efeito prático.

Eu que não sou publicitário mas lido com comunicação penso que algumas coisas precisam melhorar sob o risco de o Não ganhar força e tomarmos de lavada no plesbiscito que se aproxima.

Por exemplo, o apelo de que a Lei do Desarmamento coloca-se como uma das leis mais avançadas do mundo não cola. O Estatuto da Criança e o Adolescente também o é e o que temos é total mazela com nossas crianças e o aumento da criminalidade infanto-juvenil exatamente por conta da proteção apregoada pelo estatuto. O problema não está no estatuto, mas está no fato de que o estado não cumpre seu papel. E aí é que está o nó da campanha.

Do jeito que a campanha está sendo conduzida parece que só existe um ator nesse processo que é o cidadão comum. Erro crasso que pode levar toda a discussão à berlinda. Eu, no momento em que me desarmo preciso saber o que o Estado fará para me proteger. E isso não está sendo dito por ninguém. Mas o pessoal do Não está. Portanto, é fundamental mudar o foco da campanha, parar com o sentimentalismo e com a pomba branca da paz e discutir mais mudanças na lei que impeçam a impunidade e ações efetivas do estado no combate à violência. Sem isso, não há confiança, sem confiança não se desarma e sem desarmamento mais e mais tragédias ocorrerão no nosso cotidiano.

Por fim, uma notinha de rodapé: todo mundo conhece a Regina Casé, o Lázaro Ramos e tal. Mas ontem, o melhor personagem da campanha do Sim foi um sujeito negro, que encerrou o programa, falando muitíssimo bem, mas que não foi identificado. Achei uma pena, porque de todos os personagens reais ou fictícios da campanha do Sim, ele foi o melhor.


2 comentários:

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