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sexta-feira, 26 de agosto de 2005

A Velhinha de Taubaté e a Morte da Esperança

Me lembro que uma das coisas que falávamos constantemente é que os dois mandatos de Fernando Henrique tinham nos roubado a esperança. E foi com o esse mote que o PT se elegeu. Substuindo o "Sem medo de ser feliz" do fim dos 80 pelo "A esperança venceu o medo" (francamente influenciado pela fala da atriz Regina Duarte), o PT e seus publicitários nos venderam um mundo de sonhos onde "mudança" seria a palavra-chave.

Mais uma vez fomos enganados. O medo que a esperança havia vencido ressurgiu, não entre aqueles que temiam as mudanças de rumo, mas exatamente entre aqueles que deviam ser os condutores do processo. O presidente que havia sido eleito com 53 milhões de votos em pouquíssimos meses estava costurando acordos para garantir maioria no Congresso, ao invés de capitalizar essa enormidade de votos a seu favor. A condução da economia tornou-se extensão do que já fazia o governo Fernando Henrique. As ações sociais propostas nada mais eram que o mais puro assistencialismo com um tanto de pirotecnia que, concretamente, ajuda no emergencial mas não afeta a cultura, não muda o sistema distributivo. Por fim, as relações internacionais (que rapidamente tornaram-se a jóia da coroa) só prosseguiram até o momento em que começaram a incomodar os poderosos do mundo. Ou seja, dá pra brincar de protagonista desde que não se pise nos calos e joanetes dos que, de fato, dão as cartas.

Aí veio a crise. Tantas vezes falada neste e num milhão de blogs mundo afora. Com seus Valérios, Jeffersons, Delúbios e Dirceus, a crise veio não para desestabilizar o governo (como se temeu num primeiro momento). Veio, sim, para desmoralizar a esquerda e todo um trabalho de anos. Veio a crise montada na esperteza de uns, na ambição política de outros, no patetismo de Lula e da cúpula partidária petista que nada viram, nada ouviram...

E agora, como se não bastasse, recebemos do Sul, via Luis Fernando Veríssimo, a triste notícia do falecimento da Velhinha de Taubaté. Essa senhora, que tanto acreditou nos governos dos ultimos 30 anos, era o símbolo do que uma ridícula campanha governamental tenta nos impigir ("sou brasileiro e não desisto nunca"). Ela não desistia de acreditar. Acreditou até morrer.
Com a morte da Velhinha de Taubaté morre um pouco nossa credulidade. Morre cada vez mais nossa esperança. Enfim, morre até mesmo o desejo de ser feliz. Porque, francamente, com essa turma não dá pra ser feliz.

Quando vemos os lucros exorbitantes e indecentes do sistema financeiro; o endividamento alegremente incentivado pelo governo de aposentados e pensionistas; filas com mais de dois mil jovens para disputar 18 bolsas de estudo para um possível/futuro trabalho; penso que melhor está agora a Velhinha de Taubaté. Não dá pra crer que aqueles mesmos que choravam com a miséria do nosso povo; que criticavam com ódio cidadão as práticas lamentáveis do governo Fernando Henrique, tenham sido tomados de tal nível de pragmatismo que o que importa agora são os indicadores econômicos (igualzinho aos governos anteriores), esquecendo-se que por trás de todos esses números há gente com fome (como diria o Solano Trindade).

A crise é política, é moral e é ética. Mas há fatos que não devem tão somente ser debitados à crise. Este governo cede desde o início em pontos que não devia ceder. Entregar o Minstério das Comunicações a um senador de segunda grandeza como é o Hélio Costa não é contemporização com o PMDB, mas, sim, com os grandes veículos de comunicação ao qual o ministro é historicamente ligado. Aí, como ficam os compromissos políticos com as rádios comunitárias, com a comunidade do Software Livre, com aqueles que lutam verdadeiramente para fazer da comunicação um direito humano no Brasil?

O que a crise política, moral e ética tem a ver com a mudança de status da Secretaria Especial de Direitos Humanos e, concomitantemente, com os parcos recursos desta e de outras secretarias especiais como a de Promoção da Igualdade Racial e das Mulheres?

O que tem a crise política, moral e ética a ver com o fato de que a palavra "contingenciamento" tenha virado palavra-chave deste governo desde o primeiro momento de sua administração? Com o fato de que o superávit primário venha gradativamente aumentando às custas de investimentos em infra-estrutura e geração de empregos? Sem contar na indecência dos juros altos praticados por meia dúzia de iluminados que sentam-se à torre suprema do país para decidir o futuro de milhões de pessoas em zeros vírgulas percentuais.

Não foi a crise política que provocou a completa e bisonha inação do governo frente à morte da missionária Dorothy Stang, no Pará. Muita gente ainda está morrendo e vai morrer graças à liberdade que grileiros têm de andar naquele estado como andam nos quintais de suas casas: armados, ameaçadores e covardes.

Não foi a crise política que estamos vivendo que evitou que este governo tivesse um plano decente de segurança pública para os grandes centros urbanos que estão cada vez mais reféns da violência e da incompetência administrativa de governadores/governadoras, prefeitos e prefeitas.

Enfim, não foi a crise política que fez com que nós começássemos a pensar que este governo estava aquém do que se esperava. Foi um conjunto de ações que com o passar do tempo descambou, aí sim, numa crise política que nos faz ser nostalgicos com relação ao Collor e sua trupe.

Lamentavelmente cremos que a crise é fruto de desacertos anteriores e não somente do desejo de uns ou de outros em derrubar ou fragilizar este presidente que aí está. Havendo mesmo esse desejo, será que veríamos a a blindagem extraordinária criada em torno do Ministro da Fazenda Antônio Palocci? Não há desejo de desestabilizá-lo, mas que as denúncias (sem prova como foram as de Roberto Jefferson, e sabemos que na política a apresentação de provas não tem o mesmo peso que na questão jurídica), existem, existem. Mas todos são unânimes em dizer que o Ministro saiu-se bem na coletiva e as denúncias são águas passadas. Seriam águas passadas se tivéssemos hoje um modelo econômico distinto deste que aí está? É uma dúvida, como tantas outras que temos.

Infelizmente estamos enlutados. Enlutados pela Velhinha de Taubaté, enlutados pelo país e enlutados pela esperança que num momento de alegria e completo êxtase político-eleitoral foi apunhalada pelas costas e morta covardemente por uma gangue de mal-feitores. Uma lástima!!

quinta-feira, 25 de agosto de 2005

Eu digo sim!!


É claro que digo sim ao desarmamento. Inclusive ao dos espíritos. Por isso apóio a campanha e divulgo o site Diga Sim Para a Vida. Participe, diga sim!

segunda-feira, 22 de agosto de 2005

Melhor ouvir isso que ser surdo...


Sábado passado em Madureira. As 9h00 da manhã vou à rua comprar para minha filha um tecido chamado TNT para o Dia da Independência. Esse tecido deve ser da côr da bandeira do Brasil. Lá vou eu.

Madureira lotada de gente: uma praga!! Procuro em várias lojas e não acho.

Finalmente, chego numa loja e peço à moça um TNT. Ela pergunta que côr e eu respondo. Ela me diz:

- Tem que ser o verde? Do jeito que estão fazendo merda nesse país o senhor bem que podia levar um tecido da côr marron!!!

(Pano rápido e depressão profunda...)

Uma rápida reflexão: vai demorar talvez 30, 40 anos, mas ainda creio que um dia a esquerda vai chegar ao poder no Brasil. Sem rabo preso. Sem compromisso com os financistas. Apenas afim de fazer algo por quem constrói esse país no dia-a-dia: o povo brasileiro, pobre, preto, destentado e cheio de esperança. Ainda creio que não fomos enganados pelo Lula. Acho, francamente, que tal como ele, fomos enganados por uma camarilha que transformou 52 milhões de votos em pó, dinheiro em cuecas e no maior e mais completo estelionato eleitoral que se tem noticia. O Lula?? Foi a reboque! Apenas isso. O fato dele saber ou não do que armava o senhor Dirceu e seus subalternos pouco importa. Ele (Lula) acreditou nos caras, como nós acreditamos nele. Ele entra pra história como um presidente medíocre. Nós ainda temos tempo de refazer nossa história.

E é só isso! A história não acaba aqui como gostaria de dizer o Fukuyama. Nós ainda temos muito que caminhar. O PT nos encheu de esperanças e nos prometeu mundos e fundos. Descobrir que o PT e seus dirigentes na prática não são diferentes daqueles que criticavam não deve servir como argumento para aceitar que o fim do mundo está próximo.

Nós vemos isso acontecer nas igrejas, nas ongs, nas melhores famílias. Entre o discurso e a prática há uma grande distância e, apenas quando os indivíduos chegam às esferas de poder é que podemos efetivamente vislumbrá-los como verdadeiramente são.

Há que se mudar o modelo político brasileiro. Há que se mudar a cultura brasileira com relação à política. Há que se construir uma nova mentalidade na população. Enquanto formos um povo que se orgulha do "jeitinho brasileiro" é porque realmente há algo de muito errado com nós mesmos.


quarta-feira, 17 de agosto de 2005

Camisa da Campanha de 2006

Acabo de receber do meu amigo Christian um email mostrando que na visita a Itinga, no Vale do Jequitinhonha, o presidente Lula recebeu de um gaiato uma camisa com a estrela do PT e uma foto sua. Quando ele foi olhar o que estava escrito atrás...

Vejam a sequência das fotos tiradas por Walter Caramujo. Sei não, mas as fotos e o nome do fotógrafo me dão a sensação de que isso é gozação da pura. Mas que a seguência é ótima, não há dúvidas.

Vejam abaixo:


Disfarçando o Lulu


Pois é, gente boa, com a Lei do Pitbull muita gente está aborrecida por não poder andar com seus lindos e "mansos" animaizinhoso durante diariamente. Mas, como dizem os membros de Casseta e Planeta, seus problemas acabaram. O site http://www.attackchi.org.au da Austrália acaba de criar um super kit para voce disfarçar o seu cão. Entre neste link e veja como pode ficar lindo seu dobermann disfarçado de poodle.

sábado, 6 de agosto de 2005

O que dizer da ignorância humana? "Mas, oh, não se esqueçam da rosa, da rosa..."

Pensem nas crianças
Mudas telepáticas,
Pensem nas meninas
Cegas inexatas,
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas,
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas.

Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa, da rosa!

Da rosa de Hiroshima,
A rosa hereditária,
A rosa radioativa
Estúpida e inválida,
A rosa com cirrose,
A anti-rosa atômica.
Sem cor, sem perfume,
Sem rosa, sem nada.

(Vinícius de Moraes)

O que explica o fato de um país já praticamente entregue ser atacado por outro com a mais letal das armas? O que explica atacar uma cidade onde a maioria absoluta dos habitantes era mulheres e crianças? O que explica que uma segunda detonação fosse autorizada dois dias depois? O que explica a ignorância humana?

Talvez palavras como poder, arrogância, política, demonstração de força entre todas outras consigam aproximar-se do sentido que aqueles que autorizaram tal ataque quiseram dar aos seus atos. Para nós, réles mortais, a verdade é que Hiroshima e Nagasaki inscrevem-se como um dos mais tristes episódios da história da humanidade.

É triste por que foi covarde. É triste por que foi impiedoso. É triste por que foi a pior forma que alguém encontrou para dizer a outros que podiam subjugá-los. Que história nunca mais se repita e que todas as armas (de destruição em massa ou não) sejam banidas para sempre!!

sexta-feira, 5 de agosto de 2005

Só porque a foto é linda

Cinco coisas

Poderiam ser três ou sete, é apenas o exercício de expôr um pouco aquilo que frenquentemente pensamos. Falar de cinco coisas boas, coisas ruins, objetos, desejos e por aí vai. Faça também o seu. Mas faça-o pensando e realizá-los no futuro ou como uma reconciliação com o passado. Faça lembrando do que te dá alegria e do que te irrita. Faça, é interessante, faz pensar...

Vamos lá então:


Cinco coisas que me dão alegria:

1) Crianças uniformizadas indo para o colégio;
2) Uma vitória convincente do Mengão;
3) Um prato cheio com a comida que eu mais gosto;
4) Um telefonema de uma pessoa querida;
5) Juntar um comboio e sair estrada afora.


Cinco coisas que me irritam

1) Gente que fala cutucando;
2) Fila de qualquer tipo e para qualquer coisa;
3) Má vontade de pessoas que trabalham diretamente com o público;
4) Criança bagunceira;
5) Qualquer tipo de covardia.


Cinco coisas que quero fazer antes de morrer

1) Ver minha filha encaminhada na vida;
2) Acertar uma cesta de três pontos;
3) Cruzar o país de triciclo;
4) Escrever um romance;
5) Andar de limousine e helicóptero.


Cinco autores preferidos

1) Fernando Pessoa
2) Fernando Sabino
3) Lima Barreto
4) Solano Trindade
5) Manuel Bandeira


Cinco animais mais lindos

1) Tigre
2) Cavalo
3) Lobo
4) Águia
5) Baleia azul

Cinco bebidas preferidas

1) Água
2) Cerveja
3) Vodka
4) Whisky
5) Água de côco


Cinco grandes tristezas

1) A morte do meu velho e não ter tido como enterrá-lo
2) A perda de vários amigos por variados motivos
3) A derrota para a Itália em 1982
4) Alguns foras de namoradas
5) O Brasil continuar sendo o eterno país do futuro


Cinco motivos de inveja (saudável)

1) De gente que tem mais de um metro e oitenta;
2) De pessoas que tocam instrumentos com facilidade;
3) De quem sabe desenhar à mão livre;
4) De quem tem habilidades para obras e reparos dentro de casa;
5) De quem está sempre zen


Cinco objetos de desejo

1) Uma casa de praia
2) Todos os badulaques tecnológicos
3) Uma TV de plasma
4) Uma conexão de altíssima velocidade à Internet
5) Tempo para curtir essas coisas todas


Cinco motivos de realização pessoal

1) Minha relação com Márcia, que já dura 13 anos
2) Ver minhas irmãs crescidas e se formando
3) A Mila, minha filhona
4) Ter podido comprar e ajeitar meu triciclo
5) Os amigos que construí ao longo do tempo e que continuam amigos.