sexta-feira, 7 de junho de 2013

Mijando no berço

Linda. Loura. Alta. Branca. Com ares de modelo de editorial de moda de revista estrangeira e malemolente sotaque nordestino. Junto dela, um menino também lindo, daqueles que você só vê pela televisão em comerciais matutinos de margarina, ou vespertinos de brinquedos que funcionam sozinhos, ou entre amaciantes de roupa, instituições bancárias e telefonia celular no horário nobre. Uma família feliz. Bem nascidos e felizes, ela dava instruções ao menino para botar pra fora e fazer xixi ali mesmo, em pé, na árvore. Às 16h de uma Siqueira Campos movimentada, no coração de Copacabana. Terminado o "pipizinho", mãe e filho caminham apressados para atravessar a rua e embarcar no ônibus expresso para a Barra da Tijuca. Inconformado, indaguei: "desculpe-me a intromissão mas... se fosse sua filha, uma menina, a senhora faria o mesmo?" A mãe, atônita com minha ousadia, me encarou de cima a baixo: "olhe, a estação do metrô não permite que a gente desça para utilizar o banheiro sem pagar uma passagem e não existem banheiros públicos infantis! Mas ele só fez isso, ele não joga lixo na rua, ele respeita a natureza...". Triste com a "compensação materna", respondi: "o machismo vem de berço, minha senhora! E os mijões de rua, também!" (Rollo)

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