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quinta-feira, 27 de novembro de 2008

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quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Musical sobre a Escrava Anastácia grátis no Rio


Assista O Auto da Escrava Anastácia
em comemoração ao dia 20 de novembro
 
O evento é uma realização da Companhia Nossa Senhora do Teatro, que a partir do "Auto da Escrava Anastácia", visa comemorar e refletir criticamente o dia da consciência Negra (20 de novembro) no ano onde comemoramos os 120 anos da libertação da escravatura no Brasil, ainda num contexto de cotidiana luta e resistência da população negra, numa sociedade marcada pela discriminação, desigualdade racial, privação e violação de direitos humanos; levando a sensibilização quanto à questão da historicidade das relações raciais no Brasil, da importância do resgate e reconhecimento da cultura negra e suas diversas manifestações, como patrimônio histórico, ambiental, econômico, político e cultural, a partir de amplo debate com diversos atores sociais, apresentações culturais tendo como eixo as narrativas em torno da personagem da Escrava Anastácia. Em comemoração ao Dia da Consciência Negra no Brasil, artistas da Companhia Nossa Senhora do Teatro, através de técnicas diversas, sob texto e direção artística de Ricardo Andrade Vassílievitch e pesquisa e consultoria de Nágila Oliveira dos Santos, apresentam "O Auto da Escrava Anastácia", uma leitura cênica-musical da história da personagem Escrava Anastácia, um misto de mártir, heroína e santidade que permeia o imaginário popular brasileiro como símbolo de resistência da população negra. Um espetáculo teatral que conta com 50 artistas. 
 
A história

Ojuorum pertencia a uma família Real, Anastácia (nome de batismo aqui no Brasil) foi seqüestrada da África e trazida ao Brasil em 1747, tornando-se aqui escrava. Era dotada de rara beleza, tinha os olhos azuis, era muito inteligente e tinha o dom da cura, ela apenas impunha as mãos, e as doenças desapareciam. Foi perseguida e contestada pela igreja católica. A beleza e a inteligência de Anastácia incomodavam a mulheres das Minas Gerais que também a enfrentavam por inveja. Os homens a perseguiam querendo dela tirar proveitos sexuais. Mas Anastácia era protegida pelo senhor Joaquim Antônio, o filho da dona do Engenho, a Srª Joaquina Pompeu, e então, este não lhe permitia qualquer tipo de maldade. Mas Joaquim Antônio estava muito apaixonado por Anastácia, e começou a assediá-la, rogando o seu amor que é negado. A escrava dizia: "Nenhum homem branco será capaz de amar Anastácia!" Então, o senhor movido pelo ódio diz: "Negra maldita! Ninguém mais verá a tua beleza!". E manda que se coloque em Anastácia uma máscara em sua boca (máscara de flandes – utilizada nos escravos nas minas de carvão para que não engolissem as pepitas de ouro) e também o colar de ferro dos negros fujões. Anastácia vive assim durante anos, só sendo permitida a retirada da máscara para sua alimentação. Os anos passam e a escrava adoece gravemente, e mesmo antes de morrer ela é capaz de curar o filho do senhor de engenho que tem uma doença pulmonar grave. A seguir a Escrava Anastácia morre tomada pela gangrena em seu pescoço e boca. Então a partir desta data se espalha por quase todo o país os fatos que ocorreram, permanecendo até os dias de hoje os relatos de promessas e curas alcançadas. Hoje Escrava Anastácia é um misto de mártir, heroína e santidade que permeia o imaginário popular no Brasil. Além de sua representatividade para o povo brasileiro e de afro-descendentes, é também seguida por 28 milhões de devotos.

* O Auto da Escrava Anastácia apresentou-se de 12 a 16 de maio de 2008, na Estação Central do Brasil contando com um público estimado de mais de 10.000.00 pessoas. O Auto da Escrava Anastácia já conta com uma mídia espontânea de larga escala tornando-se assim já bastante conhecido do grande público através dos jornais e canais de televisão.
Coordenação, Texto e Direção Artística de Ricardo Andrade Vassílievitch 
Consultoria e Curadoria de Nágila Oliveira dos Santos

APRESENTAÇÕES GRATUITAS:

SESC Nova Iguaçu – dia 19 nov. às 16:00 h
SESC São João de Meriti – dia 19 nov. às 20:00 h
SES Engenho de Dentro – Dia 20 de nov. às 15 h
Arcos da Lapa – Dia 21 nov. às 22 h

Classificação: Livre para todas as idades.
 
Instituto Nossa Senhora do Teatro Para As Artes
Rio de Janeiro – Brasil
tel. (21) 3773 – 8375 / 9714 – 4940
nossasenhoradoteatro@gmail.com
contato@nossasenhoradoteatro.com
Site: WWW.nossasenhoradoteatro.com

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Obama e nós, que lições tirar?


Para mim, a melhor definição deste momento foi dada pelo rapper Jay Z: Rosa Parks sentou-se para que Luther King pudesse andar; Luther King andou para que Obama pudesse correr; Obama correu para que nós possamos voar...

Apesar de ser uma vitória aguardada por muita gente, em mim provocou enorme impacto a eleição de Obama. Uma semana antes um outro jovem negro havia feito história ao se tornar campeão do competitivo e mega elitizado mundo a Fórmula 1. Logo após, um outro jovem, de 47 anos, uma geração apenas, acima da minha, elegeu-se o mais poderoso mandatário do planeta. O homem sobre quem cairão agora as responsabilidades de vida e morte, do destino global, da construção de um futuro melhor e mais justo para todos nós.

A vitória de Obama foi comemorada em todo o mundo e, em alguns lugares, parecia que ali também ele tinha sido eleito. Nas listas do Movimento Negro brasileiro, pululam análises tentando entender o por quê de os EUA, 40 anos após os direitos civis terem se tornado uma realidade lá conseguirem eleger um presidente negro ao passo que aqui nós mal e porcamente não conseguimos eleger nem mesmo um número considerável de vereadores.

Ainda não me manifestei sobre isso e nem sei se quero me manifestar. Para mim as análises sobre estes fatos na verdade estão muito mais no campo das relações políticas que nós mesmos estabelecemos entre nós, do que na fragilidade ou não do nosso sistema político-eleitoral. Para mim, o fato concreto é que se Obama fosse brasileiro, ele teria se lançado candidato num dia e no outro haveria mais três negros, ou negras, se candidatando junto. Ou então, uma meia dúzia de três ou quatro estaria pronta para detoná-lo nos veículos de comunicação, contando seus podres e minando suas possibilidades.

Mas independente dos por quês, acho que está na hora de começarmos a pensar nas construções reais que nos levem nos próximos 10, 15, 20 anos a ter um homem ou uma mulher com reais chances de se eleger à presidência do nosso país...

Por outro lado, isso também é muito relativo. Cinco anos atrás, ninguém havia ouvido falar em Obama. Ele se tornou relevante no cenário político americano quando fez um discurso arrasa-quarteirão na convenção de seu partido e chamou a atenção pra si.

O que me chama a atenção em Obama é que ele não teve medo de encarar a missão que ele mesmo se deu. Colocou como ideal a busca da presidência e não se apequenou. Pelo contrário, a cada dia tornou-se maior e não abriu mão em momento algum de acreditar que poderia chegar lá. Não tenho dúvidas que o grupo de Hilary Clinton deve tê-lo assediado de tudo quanto era forma. Afinal, ele é novo, em idade e na política, Hilary é senadora duas vezes, ex-primeira dama, mulher tarimbada e mais velha... Na lógica política brasileira política é fila! Obama não quis nem saber e furou a fila com a cara-dura e levou de lambuja a presidência dos EUA e a liderança mundial.

Talvez o que fique como lição no histórico feito americano são algumas questões bem interessantes:

1) O discurso radical e de gueto não funciona mais. Afirmar a negritude não é excluir o outro, mas é buscar um discurso de conciliação e real integração entre os grupos distintos. Obama ousou em falar para a sociedade americana e não apenas para os negros. Ele não buscou se tornar uma liderança negra, buscou se tornar presidente dos EUA e sabia que só conseguiria se tivesse votação entre a população branca. Isso ele viu, foi lá e venceu!

2) A maturidade política dos grupos americanos, principalmente os negros, tornou possível a eleição de Obama e, ao mesmo tempo, nos coloca o desafio de pensar nossa própria realidade como negros da diáspora vivendo as similaridades do caso brasileiro;

3) É chegada a hora de lançarmos novos debates sobre conjuntura política e modus-operandi de maneira que possamos criar condições para superar nossas debilidades e dar alguns passos adiante.

O momento é de comemorar mas também de avaliar; de avaliar e não transformar em xororô, mas pensar que somos testemunhas da história e temos responsabilidades diante dela. Faremos a diferença quando soubermos transformar nossa realidade e a de milhões de negros brasileiros a partir dos aprendizados que possamos ter daqui pra frente.