terça-feira, 26 de agosto de 2008

Ecos que nos chegam de Pequim

Agora que as Olimpíadas acabaram, talvez seja a melhor hora de falar delas. Afinal, muito já se falou da linda arquitetura do Ninho do Pássado e do Cubo D´Água, sem contar os espetáculos que foram as festas de abertura e encerramento.

Realmente, tudo muito lindo. Agora me digam? Quantos chineses vocês viram nas ruas? Eu vi um monte de brasileiro, por sinal, sempre tocando aquele pandeirinho malemolente para afirmar a brasilidade, aquela cara de bom malandro, agora chinês fazendo festa, não vi, não! E olha que são um bilhão e tanto!!

Mas há alguns aspectos das Olímpiadas que eu gostaria de compartilhar com vocês que me lêem. O primeiro deles foi o nosso fracasso retumbante. Venhamos e convenhamos, apenas três medalhas de ouro, é muito pouco, não? Nunca, na história desse país, geramos tantas expectativas de ouro e voltamos com tão pouco.

Senão, vejamos: o Brasil ganhou ouro com as meninas do volei, na natação e no atletismo com a Mauren. Legal, bacana. Acho que todos que viram aquele inesquecível jogo com a Rússia torceram muito para as garotas recuperarem a moral. E elas recuperaram no mais alto nível.

A vitória do Cielo e da Mauren também encheram nosso coração varonil de alegria, afinal é sempre bom ver os nosso vencerem. Mas, cá pra nós, só três medalhinhas???

Hoje eu comentava com um colega de trabalho que, a meu ver o que está errado é o foco do investimento. Até porque, ao contrário de alguns anos atrás, hoje a maioria dos esportes têm uma cobertura financeira bem razoável. Além da iniciativa privada que hoje investe bem mais, as empresas públicas (Correio, Caixa, Petrobras entre outras), bancam categorias esportivas inteiras. Então, onde tá o problema?

A meu ver no foco do investimento. O esporte brasileiro de ponta, de alto nível, está extremamente elitizado. Para mim, um dos momentos mais importantes das Olímpiadas foi quando a seleção de basquete ganhou um jogo que já nao valia nada, e já havia perdido todos os que valiam alguma coisa, e o Oscar Schimidt, comentando a partida começou a falar que o basquete havia se tornado um esporte de clubes, que os pobres não vinham, os negros não vinham. "Onde estão os negros?", ele perguntava. E ele mesmo afirmava que o basquete é um esporte de negros (vide os EUA) e no Brasil os negros estão fora do basquete. E, tal como eu, ele dizia que é necessário mudar o enfoque dos investimentos.

Enquanto não mudarmos o modelo que privilegie o menino e a menina que têm aptidão para os esportes desde a escola básica até a universidade, continuaremos à mercê de algumas doses de sorte e de muito talento individual para ganhar alguma medalhinha dourada.

Em outro momento, se meus leitores quiserem, posso aprofundar outras questões, mas basicamente era isso que queria pontuar um pouco.


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