quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

A nova cara do Palavra e alguns desafios para 2008

Depois de mais de dois anos no ar achei que valia à pena mudar a cara do Palavra Sinistra. Não que nao gostasse do antigo visual, mas mudar é bom, oxigena, dá novos ânimos. Essa foi a idéia. Espero que os leitores gostem.

O ano de 2008 começa já, já. Tão logo acabe o carnaval e a Portela finalmente ganhe o título que vem merecendo há anos teremos, de fato, o início do ano em nosso país. No entanto, no resto do mundo 2008 já começou e em alguns lugares efetivamente 2007 nem terminou.

No Paquistão, por exemplo, a morte de Benazir Butho e os desdobramentos referentes à herança de seu espólio político ainda darão panos para as mangas. A Al Qaeda já declarou que nao foi ela quem cometeu o crime. O governo já suspendeu o processo eleitoral que se daria agora em janeiro e, para complicar, o herdeiro político de Benazir é um jovem de 19 que, apesar de ser seu filho, ainda está sendo preparado para virar líder, o que de fato ainda não é. Ou seja, no Paquistão e naquela região toda as tensões provocadas pela morte de Benazir em fins de 2007 provavelmente repercutirão por todo o 2008.

Nos Estados Unidos já, já ocorrerão as prévias no estado de Iowa. Não me perguntem sobre o sistema eleitoral americano. Ele é tão confuso que o mais votado nem sempre leva, como bem sabe o neo-ambientalista e paladino das causas verdes Al Gore. No entanto, os americanos querem teimar em dizer ao mundo que eles é que sabem fazer democracia. O fato é que do lado ruim, corre por fora o Giulliani, o prefeito herói de Nova Iorque do 11 de Setembro. Do outro lado, o aparentemente menos ruim, temos duas novidades, Hilary Clinton e Barak Obama. Confesso que tenho medo dos dois. Do Giulliani não, pois sabemos mais ou menos o que esperar. Agora o Barak e a Hilary assustam.

Barak é negão. Tá, tudo bem, não é tão negão assim. Aqui no Brasil seria um tinta-fraca e se fosse frequentador das rodas simpáticas de nossa elite malemolente seria taxado no máximo de moreno. Mas lá na sociedade anglo-saxâ o cara é negão. Isso não quer dizer muita coisa. Afinal o Collin Powel e a Condolezza também são negões e sabemos o apito que eles tocam. E a Hilary, como o próprio nome já diz, é mulher. Mas o pior, é mulher de ex-presidente. E pior ainda, do ex-presidente mais simpático que os EUA já tiveram. Afinal, quem não gostaria de fumar um charuto com o velho Bill? Pois então, Hilary, se eleita será obrigada a sair da sombra do Clinton e daí não sabemos o que esperar. Enfim, na luta hegemônica dos EUA com China e Europa, o resto do mundo sempre sairá perdendo. E é difícil crer que Hilary ou Barak farão algo de diferente. Quando muito, serão uma espécie de Lula do primeiro mundo. Discurso bonitinho e pratica antiguada. Torço para não estar certo.

E enfim, chegamos ao Brasil, que depois do carnaval, e de um breve intervalo para assistir a Olimpíada da China (afinal ninguem é de ferro), se voltará para o processo eleitoral de escolha de prefeitos e vereadores.

No Rio de Janeiro o cenário é trágico. De um lado liderando as pesquisas com o apoio da "poliçada" e do efeito tropa de elite, temos o apresentar-gritante Wagner Montes. Do outro, o não menos assustador Bispo Crivela, da Igreja Universal. O homem que tem a pachorra de propor um projeto de urbanização no Morro da Providência desde que comece com os fiéis de sua igreja, daí imaginamos o que por vir, para usar a linguagem cristã.

Em Salvador o quadro é confuso. Mas Olívia Sant´Anna será, sem dúvida uma grande novidade. Mulher, negra, vereadora e militante da Unegro, Olívia está conseguindo unificar as forças do MN de Salvador em torno de seu nome. Isso é significativo, importante, e tomara que dê certo, afinal será um excelente momento para que a cidade mais negra do país mostre sua verdadeira face e eleja uma negra competente e comprometida para governá-la.

E uma outra grande novidade poderemos ter no Amapá. Cristina Almeida, liderança comunitária que por um triz nao derrotou Sarney nas ultimas eleições para o Senado, tem grandes chances de ser eleita prefeita de Macapá e com isso, sem dúvida, tornar-se um dos mais visíveis quadros do MN brasileiro.

Portanto, seja pelo viés da questão dos direitos humanos, da segurança pública ou da intolerância religiosa; ou ainda pelos recortes de gênero e étnico-raciais, o fato é que teremos novidades interessantes na política brasileira em 2008.

Logicamente este é um primeiro momento. Mais à frente falaremos mais dessas e de outras questões.

Agora só quero desejar aos leitores desse meu Palavra Sinistra, ao Paulo Rolo Rodrigues, que virou um importante colaborador e a todos e todas que lêem este blog mas não comentam que 2008 seja um ano repleto de alegrias, realizações e muito sucesso para todos nós.

Um comentário:

Memória Lélia Gonzalez - Continente África disse...

Aprovadíssimo. Forte abraço, Axé!