sexta-feira, 27 de julho de 2007

Protestar contra repressão aos pobres é crime

Na madrugada de segunda-feira, dia 23, três ativistas foram presos enquanto faziam um stencil do Cauê - mascote dos jogos panamericanos - com um fuzil nas mãos, no muro do colégio Pedro II, centro do Rio de Janeiro. Os três foram autuados pelo delegado Ricardo Dominguez Pereira, titular da 4ª DP (Central do Brasil), como crime contra o meio ambiente e apologia ao crime. Um dos ativistas é estrangeiro e pode ser deportado.
A imagem de Cauê armado é de autoria do cartunista Latuff. Ele foi intimado, sob a acusação de apropriação da imagem oficial do PAN, pela delegada Valéria de Aragão Sádio, a comparecer nesta quinta-feira, dia 26, na Delegacia de Repressão aos Crimes Contra Propriedade Imaterial. Esta delegacia foi criada através do Decreto Lei n° 33.535, de 7 de julho de 2003, com o objetivo de proteger o Copyright (propriedade intelectual).
Enquanto se gasta quantias absurdas com um evento esportivo internacional, a repressão policial atua de forma brutal em comunidades pobres nas favelas. Além disso, na tentativa de desqualificar os protestos contra os jogos e a violência, o governo estadual e municipal, a polícia e os meios de comunicação corporativos, têm se esforçado para que a opinião pública acredite que os movimentos que se opõem ao PAN não passam de grupos fazendo apologia ao crime.

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