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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Cartola e seu pai

Quando meu pai morreu há cinco anos não nos falávamos. Primeiro porque ele morava na Bolívia, morava longe... Segundo porque na ultima vez em que esteve em casa, nós brigamos e a briga não foi boa. Eu não tive tempo de me reconciliar com meu pai como deveria e essa é uma dor que carrego e carregarei pra sempre comigo.

Hoje achei esse vídeo do Cartola. Depois de 40 anos sem falar com o pai, eles se reencontram num momento em que o Zicartola é fechado, ele completamente endividado e, voltas que o mundo dá, tendo que ir morar com o pai. No vídeo o pai lhe pede que cante a música "O mundo é um moinho", e quem conhece a letra sabe o significado que seria uma música como esta num momento como aquele.

Cartola canta, encanta e nos enfeitiça com a proximidade que ele estabelece com o pai naquele momento. Para quem é chegado em achar que falta a nós homens negros a devida sensibilidade, acho que esse vídeo diz muito. Pelo menos disse a mim. E daqui aproveito pra mandar pro meu velho um grande beijo, um grande abraço e declarar de público que o amo e sempre amarei, apesar das nossas brigas que não tivemos tempo de superar.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Tia Ciata recebe Tia Doca de braços abertos

A morte sempre nos impacta. O sentimento egoísta daqueles que ficam ao imaginar que nunca mais terão aquela companhia, aquele olhar, aquela proximidade, faz com que cada um de nós queira sempre a morte o mais distante possível. Mas inevitavelmente ela chega e leva alguém que amamos, alguém que queremos bem.

A semana começou com o falecimento da tia Doca da Portela. Eu poderia, aqui, escrever várias coisas sobre tia Doca, mas quero falar de alguns aspectos particulares e especiais não só dela, mas de mulheres como elas, que nos inspiram, que nos fazem refletir e que nos apaixonam.

Tia Doca nunca soube meu nome, mas sempre que me via me beijava, me abraçava e me chamava de meu filho. Aquele "meu filho" de tia Doca, como é de tia Surica, como é de tia Verinha e de tantas outras baluartes da Portela, é um "meu filho" verdadeiro, gostoso, bom de se ouvir.

No ano passado a encontrei no samba do Nem, filho dela e natural herdeiro de sua casa, no Pau-Ferro, em Irajá. Era a inauguração do samba do Nem e seria um show com Reinaldo, o Principe do Pagode, pessoa da qual sou fã incondicional. Cheguei no samba, fui falar com o Nem, com alguns colegas e conhecidos e, logicamente, com ela. Ato contínuo tia Doca virou-se pra mim e me disse "meu filho, você nunca mais foi lá em casa, vê se aparece, viu?". E eu disse que iria. Meses depois estava eu em Oswaldo Cruz no Samba da Tia Doca, cheio de gente, um suadouro da muléstia, gente pelo ladrão. Do nada, aparece na minha frente a tia Doca, me dá um beijo e diz que estava feliz por eu estar lá. Fiquei pensando: "caramba, como pode, com tanta gente, esta senhora me ver e ficar feliz por eu estar aqui?"

Pano rápido

A região que hoje é a Praça XI, Gamboa e outros bairros do centro do Rio, no início do século passado era chamada de Pequena África. Era ali que as várias tias, mulheres baianas, robustas, inciadas no candomblé reuniam seus amigos e parentes para comer e cantar em reuniões que eram chamadas de pagodes.

Foi ali, na Pequena África, mais exatamente na casa de Tia Ciata que pode-se dizer que nasceu o samba carioca e é a partir daquele espaço que o samba se eterniza com a primeira gravação radiofônica feita por Donga, com o "Pelo Telefone".

Naquela Pequena África os meninos, os jovens, também não tinham nome, eram todos chamados de "meu filho" e eram cuidados por aquelas mulheres como se filhos fossem. Era uma época em que uma bronca de uma tia daquelas era como sermão de pai e de mãe, ouvia-se calado, de cabeça baixa e com muito respeito. Eu me orgulho de ainda ter sido criado assim, de ter sido chamado de "meu filho" por velhas como tia Doca que era uma representante legítima de tia Ciata.

Não tenho dúvidas que neste momento onde elas estiverem, estarão em festa. Tenho certeza que Ciata está abrindo os braços e alegremente está recebendo Doca com um sorrisão no rosto e, sei que estarão olhando por nós, os "seus filhos", com imenso carinho.

Até breve, tia Doca, a bênção, Tia Ciata, em algum momento todos nos encontraremos e enquanto isso não acontece, só nos resta torcer para que outras mulheres lindas, robustas, religiosas e festivas continuem abrindo suas casas para boas comidas, boas músicas e maravilhosos pagodes.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Fique sempre comigo, minha querida (stand by me)

Num momento obamiano como este que estamos vivendo, nada mais lindo, mais bem editado, bem transado e bem sacado como o vídeo que segue abaixo. A tradução vai junto, uma graça!



Quando a noite tiver chegado
E a terra estiver escura,
E a lua for a única luz que veremos,
Não, eu não terei medo
Não, eu não terei medo
Desde que você fique
Fique comigo

Refrão:
Então querida, querida,
Fique comigoOh, fique comigo,
Oh, fique
Fique comigo,
Fique comigo...

Se o céu que vemos lá em cima
Desabar e cair
Ou as montanhas desmoronarem no mar
Eu não chorarei, eu não chorarei
Não, eu não derramarei uma lágrima,
Desde que você fique
Fique comigo
Quando você estiver com problemas, você não contará comigo?
Oh, conte comigo
Oh, você não ficará agora?
Conte comigo

(Traduzido por Jackson Emílio)

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Musical sobre a Escrava Anastácia grátis no Rio


Assista O Auto da Escrava Anastácia
em comemoração ao dia 20 de novembro
 
O evento é uma realização da Companhia Nossa Senhora do Teatro, que a partir do "Auto da Escrava Anastácia", visa comemorar e refletir criticamente o dia da consciência Negra (20 de novembro) no ano onde comemoramos os 120 anos da libertação da escravatura no Brasil, ainda num contexto de cotidiana luta e resistência da população negra, numa sociedade marcada pela discriminação, desigualdade racial, privação e violação de direitos humanos; levando a sensibilização quanto à questão da historicidade das relações raciais no Brasil, da importância do resgate e reconhecimento da cultura negra e suas diversas manifestações, como patrimônio histórico, ambiental, econômico, político e cultural, a partir de amplo debate com diversos atores sociais, apresentações culturais tendo como eixo as narrativas em torno da personagem da Escrava Anastácia. Em comemoração ao Dia da Consciência Negra no Brasil, artistas da Companhia Nossa Senhora do Teatro, através de técnicas diversas, sob texto e direção artística de Ricardo Andrade Vassílievitch e pesquisa e consultoria de Nágila Oliveira dos Santos, apresentam "O Auto da Escrava Anastácia", uma leitura cênica-musical da história da personagem Escrava Anastácia, um misto de mártir, heroína e santidade que permeia o imaginário popular brasileiro como símbolo de resistência da população negra. Um espetáculo teatral que conta com 50 artistas. 
 
A história

Ojuorum pertencia a uma família Real, Anastácia (nome de batismo aqui no Brasil) foi seqüestrada da África e trazida ao Brasil em 1747, tornando-se aqui escrava. Era dotada de rara beleza, tinha os olhos azuis, era muito inteligente e tinha o dom da cura, ela apenas impunha as mãos, e as doenças desapareciam. Foi perseguida e contestada pela igreja católica. A beleza e a inteligência de Anastácia incomodavam a mulheres das Minas Gerais que também a enfrentavam por inveja. Os homens a perseguiam querendo dela tirar proveitos sexuais. Mas Anastácia era protegida pelo senhor Joaquim Antônio, o filho da dona do Engenho, a Srª Joaquina Pompeu, e então, este não lhe permitia qualquer tipo de maldade. Mas Joaquim Antônio estava muito apaixonado por Anastácia, e começou a assediá-la, rogando o seu amor que é negado. A escrava dizia: "Nenhum homem branco será capaz de amar Anastácia!" Então, o senhor movido pelo ódio diz: "Negra maldita! Ninguém mais verá a tua beleza!". E manda que se coloque em Anastácia uma máscara em sua boca (máscara de flandes – utilizada nos escravos nas minas de carvão para que não engolissem as pepitas de ouro) e também o colar de ferro dos negros fujões. Anastácia vive assim durante anos, só sendo permitida a retirada da máscara para sua alimentação. Os anos passam e a escrava adoece gravemente, e mesmo antes de morrer ela é capaz de curar o filho do senhor de engenho que tem uma doença pulmonar grave. A seguir a Escrava Anastácia morre tomada pela gangrena em seu pescoço e boca. Então a partir desta data se espalha por quase todo o país os fatos que ocorreram, permanecendo até os dias de hoje os relatos de promessas e curas alcançadas. Hoje Escrava Anastácia é um misto de mártir, heroína e santidade que permeia o imaginário popular no Brasil. Além de sua representatividade para o povo brasileiro e de afro-descendentes, é também seguida por 28 milhões de devotos.

* O Auto da Escrava Anastácia apresentou-se de 12 a 16 de maio de 2008, na Estação Central do Brasil contando com um público estimado de mais de 10.000.00 pessoas. O Auto da Escrava Anastácia já conta com uma mídia espontânea de larga escala tornando-se assim já bastante conhecido do grande público através dos jornais e canais de televisão.
Coordenação, Texto e Direção Artística de Ricardo Andrade Vassílievitch 
Consultoria e Curadoria de Nágila Oliveira dos Santos

APRESENTAÇÕES GRATUITAS:

SESC Nova Iguaçu – dia 19 nov. às 16:00 h
SESC São João de Meriti – dia 19 nov. às 20:00 h
SES Engenho de Dentro – Dia 20 de nov. às 15 h
Arcos da Lapa – Dia 21 nov. às 22 h

Classificação: Livre para todas as idades.
 
Instituto Nossa Senhora do Teatro Para As Artes
Rio de Janeiro – Brasil
tel. (21) 3773 – 8375 / 9714 – 4940
nossasenhoradoteatro@gmail.com
contato@nossasenhoradoteatro.com
Site: WWW.nossasenhoradoteatro.com

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Big Richard - Reconfigurando as pistas de hip hop

Influenciado pela dançante sonoridade do reggaeton, o novo trabalho de Big Richard, TÔ NA PISTA, pretende colocar todo mundo para dançar e com isso provar que é possível reconfigurar o hip hop, incluindo elementos do reggaeton e da música eletrônica.

Produzido por Jimmy Luv, músico reconhecido no cenário nacional e internacional do ragga e reggaeton, primeiro produtor brasileiro a trabalhar com o gênero no Brasil e fundador da 7 Velas Crew, TÔ NA PISTA é resultado de um ano de pesquisas e incursões pelas festas das principais cidades brasileiras e da América do Sul.

Big Richard, antenado com o avanço das novas tecnologias, disponibilizou na internet cinco, das 12 faixas do álbum. Como resultado, os áudios estão entre os mais veiculados no programa Cultura Hip Hop apresentado aos sábados, na Rádio Nacional/Brasília pelo DJ Chocolaty. O videoclipe, que dá nome ao CD, está entre os mais pedidos da TV Apoio/Gazeta também no Distrito Federal.

Nas demais regiões do país, sobretudo, em Florianópolis e Salvador, Big Richard tem feito a divulgação da produção, no corpo-a-corpo com os Djs e participando de jam sessions, como a que aconteceu em 18/04, no Sankofa's (bar e casa noturna localizada no centro histórico de Salvador).

Artista Multimídia - Big Richard é rapper, apresentador de TV, produtor musical, ativista do Movimento Negro e do Hip Hop. Carioca, residente em São Paulo há mais de uma década, o artista multimídia, tem se dedicado nos últimos anos a produzir colaborativamente e deixar-se levar pelas influências musicais de outras regiões do país. Nesta busca por sons do Brasil e de outros países latino-americanos, participou de shows e eventos neste ano em várias cidades argentinas, em Florianópolis, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Salvador.

Interatividade

Videoclipe TO NA PISTA


Portal - http://www.dubig.com.br/
My Space - http://www.myspace.com.br/pretobig

Discografia
1993 - Coletânea "Tiro Inicial" – BMG/Ariola.
1998 - Balançando Sem Perder a Base – Laser Records.
2001 – Paz Justiça & Liberdade – Independente.
2005 - Elos da Vida - Um panorama da periferia – Independente.

Assessoria de imprensa:
Marcio Alexandre M. Gualberto - DRT 23.495/2002
Tel: 21 9905 5856

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Rolo vibra: "Até que enfim, cinema de negão!"



Em parceria com o African Filme Festival, de Nova York, a mostra traz um panorama contemporâneo de filmes africanos e brasileiros.

A CAIXA Cultural recebe, de 22 a 27 de abril, a mostra "Espelho Atlântico". Com direção geral da cineasta Lilian Solá Santiago, o evento traz uma primorosa seleção de filmes africanos e da diáspora negra para o Rio de Janeiro. Espelho Atlântico é uma abordagem atual e significativa da produção cinematográfica africana contemporânea e também da realizada fora do continente, mas que dialoga diretamente com a herança cultural do continente africano.

Av. Almirante Barroso, 25, Centro (ao lado da estação Carioca do metrô)
Tel: 21 2544 4080 – Site: www.caixacultural.com.br
Temporada: de 22 a 27 de abril de 2008
Sessões: a partir das 19h (curta-metragem sempre seguido de um longa metragem)
Classificação etária: confira a programação
Preço: R$ 4,00 (inteira); R$ 2,00 (meia-entrada)
Acesso para portadores de necessidades especiais

Dia 22
O Clandestino
Direção: Jose Laplaine - Zaire/Angola, 1997, 15 min.
Quando um angolano clandestino chega a Lisboa, ele percebe que a Europa de seus sonhos não é o paraíso que imaginava. Sempre tendo que fugir de um policial persistente, ele começa a ter saudades da terra natal.
Kuxa Kanema – O nascimento do cinema (doc.)
Direção: Margarida Cardoso, Bélgica / França / Portugal, 2003, 52min
O governo Moçambicano cria após a independência, em 1975, o Instituto Nacional de Cinema (INC), pois o presidente, Samora Machel, sabia do poder da imagem para a nação socialista. A ruína do INC após um incêndio acompanha a desilusão dos moradores com o regime. Vencedor do Festival de Nova York de Filmes Africanos.

Dia 23
Mama Put – (ficção)
Direção: Seke Somolu, 2006, 30min, Nigéria
A história de um grupo de jovens armados que invade a casa de uma pobre família mostra o poder do alimento de transformar, salvar e estremecer relações sociais na Nigéria. Mama Put é o filme de estréia do cineasta nigeriano Seke Somolu.
A cidade das mulheres – (doc.)
Dir: Lázaro Faria, 2005, 72 min, Brasil
O filme é uma resposta à Ruth Landes, antropóloga norte-americana que esteve, em 1939, na Bahia, e se surpreendeu com a força e a soberania das mulheres do candomblé dentro de uma organização matriarcal. Ganhador dos prêmios Tatu de Ouro e BNB de Cinema.
Dia 24
Menged (ficção)
Direção: Daniel Taye Workou, 2006, 20min., Etiópia
Adaptação de um conto popular etíope, sobre a trajetória de um pai e seu filho até o mercado. Mostra a Etiópia de hoje: um país na transição entre modernismo e tradicionalismo. Venceu do Urso de Cristal no Festival Internacional de Filmes de Berlim.
Mortu Negra (ficção)
Direção: Flora Gomes, 1987, 85min, Guiné-Bissau.
No interior da Guiné, lutando contra a presença colonial, o exército de libertação constrói o dia-a-dia entre a vida comunitária e o percurso para a independência de seu país. O filme marca a estréia do consagrado cineasta Flora Gomes.
Dia 25
Balé de pé no chão (documentário)
Dir: Lilian Solá Santiago, 2008, 17 min, Brasil
Documentário sobre Mercedes Baptista, principal precursora da dança afro-brasileira. Bailarina de formação erudita, cria seu grupo na década de 50, e estuda os movimentos do candomblé e das danças folclóricas. Vencedor do Prêmio Palmares de Comunicação 2005.
Hollow City (Na Cidade Vazia) – (ficção)
Direção: Maria João Ganga, 2005, 88min., Angola
O filme narra a trajetória de um menino órfão, que, assim como muitos outros de sua geração, lutam pela sobrevivência em Angola que está devastada após a revolução civil. Conquistou o grande prêmio do Festival de Filmes de Paris.
Dia 26
Maria sem graça (vídeo / ficção)
Leandro Godinho, Brasil (SP), 2007, 14min
Maria das Graças, menina negra de 12 anos, moradora da periferia de São Paulo, atormenta a vida de sua mãe para alcançar seu maior sonho: ser a apresentadora Xuxa Meneghel. Selecionado para o Festival Internacional de curta-metragens de São Paulo.
Família Alcântara (documentário)
Direção: Lílian e Daniel Solá Santiago,2006, 52min
História de uma família extensa, cujas origens remetem-se à bacia do Rio Congo, na África. Através de gerações, preservam sua história, com o coral, teatro e a congada. Premiado no 11º Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá, no Mato Grosso.
Dia 27
The Ball (ficção)
Orlando Mesquita, 2001, 5 min, Moçambique
Em um país que luta para combater a Aids, vinte milhões de preservativos são distribuídos, isto é, 5 por pessoa por ano. Muitas pessoas as usam de outra forma, por exemplo, os garotos que as utilizam para fazer bolas para jogar futebol.
O Herói (ficção)
Angola / França / Portugal, 2004, 97 minutos
Direção: Zezé Gamboa
Um soldado mutilado na explosão de uma mina volta à Luanda após 20 anos de combates. No elenco o senegalês Makena Diop, as brasileiras Maria Ceiça e Neuza Borges. Premiado no Festival de Sundance (EUA) e no Festival de Cinema Africano de Milão, entre outros.

sábado, 15 de dezembro de 2007

Rolo: "A música pode ressocializar os detentos"

Participei ontem (sexta) do 10º Festival de Música Popular e 
Gospel do Colégio Estadual Anacleto de Medeiros, localizado no interior do
Presídio Evaristo de Moraes, em São Cristóvão, aqui no Rio. Fiz parte da
comissão julgadora da finalíssima do concurso, onde os três primeiros
lugares de cada estilo foram premiados com ventiladores e certificados.

Música, pintura, escultura, teatro, tudo é isso é ensinado nessa escola. E
tem funcionado. Na platéia um total de 800 presos, mais da metade do total
dos que estão lá cumprindo pena.

Durante o tempo em que estive por lá, fui surpreendido várias vezes com as
palmas e os gritos eufóricos do público, quando era anunciado que mais um
detento estava ganhando sua liberdade, depois de cumprir a pena.


Passei uma incrível tarde, ouvindo a produção musical dos presos e só
percebi novamente que estava em uma casa de detenção (o Galpão da Quinta, que abriga
presos em regime fechado, oriundos do Presídio Ary Franco, com condenações
por estupro e tráfico de drogas), ao sair pela portaria e me deparar com as
grades e o aparato policial no entorno.

Depois desta experiência, minhas crenças na ressocialização do indivíduo que
cumpre pena, através da arte, se renovaram.

O negócio é ter fé. E fazer por onde!

ROLO

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Quem tem medo do Zé Celso II ou Autocrítica

Retiro o que disse. Aliás, desdigo em parte o que disse. Afinal o homem é um ser em eterno conflito, em constante contradição e por isso mesmo em eterna evolução. Zé Celso sabe muito bem o que faz. Sabe o texto. Sabe a fala. Sabe o gesto. Sabe quando alguém erra. “Com essa eu vou para a escuridão!” vociferou em cena, quando o ator com quem contracenava teve “um branco” e improvisou com um “vai para o caminho da luz, Conselheiro...” E olha tudo atento, como se fosse a primeira vez que estivesse pisando naquele palco. Com um olhar de criança diante de um brinquedo novo. Com um olhar de faminto diante de um banquete. Ontem completei o ciclo: A Terra, Homem II, Homem II, Luta I e Luta II, estes últimos os que assisti primeiro e de onde tirei as conclusões que vocês leram anteriormente. E que agora passo a relatar tentando reproduzir a emoção de assistir a este espetáculo do Teatro Oficina.

Esta semana vc vai ler sobre os cinco capítulos de Os Sertões na montagem do Teatro Oficina e a Parada Gay no Rio de Janeiro

domingo, 7 de outubro de 2007

riocenacontemporânea 2007: Quem tem medo do Zé Celso?


Lá vamos nós de novo saber o que está acontecendo na cena cultural do Rio. E é na cena mesmo: riocenacontemporânea 2007, que em sua 8ª edição, apresenta espetáculos de teatro, performances e dança, vídeos, instalações e acervos em exposição de várias partes do Brasil, América Latina e outros países do mundo. Uma parte dos eventos acontece lá no Centro Cultural da Ação da Cidadania, na zona portuária do Rio. E a grande atração desta edição é a Uzyna Uzona, projeto do polêmico, divertido e septuagenário diretor Zé Celso Martinez Correa, um senhor que durante toda sua carreira, nunca se acomodou na estrutura estabelecida da profissão de artista. E a maior prova disso é que seu grupo, o cinquentão Teatro Oficina, apresenta neste festival sua adaptação de Os Sertões, de Euclides da Cunha. Dividida em cinco partes de seis horas cada (é, cada espetáculo dura 6 horas!), esta “ópera” mostra a história de Canudos, cidade do sertão baiano, onde Antonio Conselheiro fundou um movimento sócio-religioso, reprimido militarmente, que durou de 1893 a 1897. E nessa montagem, Zé Celso sabe o que faz. Ou não sabe. Mas deixa acontecer. Um elenco de 57 atuadores (como ele mesmo diz) cria um quadro político, econômico, cultural e social da época, onde o governo não estava nem um pouco interessado em saber como estava o povo do sertão. A República tinha sido proclamada quatro anos antes, Floriano Peixoto, seu segundo presidente, estava entregando o cargo a Prudente de Morais. E os sertanejos não contestavam o novo regime, apenas não estavam satisfeitos com a cobrança exagerada de impostos para o governo, que não lhes dava nada em troca. Tudo isso ajudou a criar a falsa imagem de que Conselheiro era um monarquista, que estava interessado em derrubar a República através de um levante popular. E Zé Celso põe elenco e platéia para correr, brincar, cantar e pular em um espetáculo que tem gosto de frutas, vinhos, cachaça, cheiros variados, em uma celebração a Dionísio. Mas Zé Celso choca. Homens se masturbam e gozam em cena, mostrando que ele ainda não perdeu a fixação pelo macho branco nu de pau duro. Mulheres nuas que também se masturbam e trepam com outras mulheres, que podem ser da platéia inclusive, fazendo a alegria de alguns e o susto de outros. A brilhante atuação do ator que interpreta o Coronel Moreira César, militar que comandou a terceira expedição a Canudos, também se destaca. Fogo, água, terra, explosões, música. Tudo o que falam de Zé Celso é verdade.

Fecha a cortina.

Rolo


sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Até 2008: 10 anos de Festival do Rio

VOX POPULI VOX DEI

Melhor Curta: A maldita, de Tetê Mattos
Melhor Longa documentário:
Memória Para Uso Diário
, de Beth Formaggini
Melhor Longa ficção: Estômago, de
Marcos Jorge

É isso aí, meu elenco! Certamente vocês já sabem quem ganhou o Festival do Rio, não é? O melhor filme, o melhor diretor, a melhor atriz, o melhor ator. Então vou ficar com a premiação do Júri Popular. Sim, aquela galera que vai assistir ao filme e no final da sessão preenche uma filipeta com seu voto. Ou então aqueles que escolhem seus filmes preferidos pela internê. E votam. E premiam os filmes que acreditam serem os melhores. A voz do povo é a voz de Deus.

Tetê Mattos com seu curta “A Maldita”, sobre a Fluminense FM, rádio que rompeu com os padronizados mercados de música estrangeira, dando início à chamada geração Rock 80, com irreverência, ousadia e criatividade na programação. Na tela, depoimentos de jornalistas, artistas, locutores e ouvintes. Muito bom de ver e de ouvir. E Tetê Mattos, que conheci exatamente no Festival do Rio 2005, merece. Merece esse prêmio e muitos mais que virão!

Já Beth Formaggini, outra agraciada com a escolha da platéia, eu conheço da Militância política, pela Democratização dos Meios de Comunicação. E não seria com outro tema que esta documentarista ganharia um prêmio desse tamanho. “Memória para Uso Diário”, mostra de maneira emocionante, a história do grupo “Tortura Nunca Mais”. Sua trajetória, desde a fundação até sua atuação nos dias de hoje, onde a polícia - que pagamos para nos proteger – ainda atua como os antigos órgãos de repressão da Ditadura Militar, violando direitos civis e torturando aqueles que eles supõem serem suspeitos, no caso, ou em todos os casos, os pretos das favelas.

“Estômago”, do curitibano Marcos Jorge (premiadíssimo diretor de curtas e vídeos) fez o deleite da platéia, a ponto de ser escolhido como o melhor filme do Festival pelo Júri Popular. Ao misturar pobreza, marginalidade, falta de sorte e... comida, o filme dá uma verdadeira aula de gastronomia, culinária e cinema. Dos bons! Marcos Jorge consegue se igualar a Marco Ferreri, com “La Grande Bouffe” (A Comilança, 1973), Peter Richardson, com o seu “Eat the Rich” (Comendo os Ricos, 1987), e a Peter Greenway com “The Cook the Thief His Wife & Her Lover” (O Cozinheiro, o Ladrão, sua Mulher e o Amante, 1989), com sabor bem brasileiro. E você ainda pode assistir a um show de interpretação de TODO o elenco, com destaques para o ator João Miguel (também prêmio de Melhor Ator do Júri Oficial), no papel do aprendiz de cozinheiro Raimundo Nonato e de Fabíula Nascimento como a prostituta Iria.

A partir de hoje tem a famosa “Repescagem”: todos os filmes que você não conseguiu assistir durante o Festival do Rio vão estar em exibição diária no Cine Odeon, na Cinelândia. Olho nos jornais para conferir a programação e até lá, porque eu também vou estar nessa, hehehe!

Corta

Rolo

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Esta quinta é noite de prêmios, aplausos, vaias, muito choro e discursos no Odeon e festa na Tenda em Copacabana!

Fernandinha e Fernandona encheram a tela e nossos olhos nesta noite de quarta no Odeon


Fernandinha

"Jogo de Cena", de Eduardo Coutinho é mais um brilhante documentário do diretor de "Cabra Marcado para Morrer", "Edifício Master" e "Peões". Selecionou vinte e três das oitenta e três mulheres que contaram suas histórias de vida, atendendo a um anúncio de jornal publicado pela produção do filme. Depois, Coutinho convida Fernanda Torres, Andréia Beltrão, Marília Pêra, Mary Sheyla e outras para interpretar a seu modo as histórias escolhidas. Com depoimentos comoventes, o filme lembra “Os Injustiçados” (Bob Balaban, 2005), onde atores interpretam prisioneiros condenados injustamente a pena de morte. Mas Eduardo consegue dar sua marca, ao deixar que as atrizes saiam, as vezes, do personagem e coloquem suas inseguranças em relação a forma como estão fazendo os papéis, suas angústias, medos, truques para chorar.

Fernandona

Íntimos como nunca fomos na vida real, Fernandona e eu temos algo em comum: a admiração por Gabo, outro com quem também não compartilho da mínima relação pessoal (daí chamá-lo pelo apelido). E vê-la interpretando a mãe de Javier Bardem neste filme, com aqueles seus imensos olhos saltando para fora das órbitas (e da tela) ao ver o filho definhar por um amor impossível, devido a sua condição social inferior é o máximo! Ver Fernandona mandar cuspe no inglês com sotaque brasileiro, no meio de vários sotaques latinos é o máximo! Ver Fernandona, velha de verdade, contracenando com jovens atores empastelados de rugas de resina e pancaque, para parecerem muito mais velhos é simplesmente o máximo! Ver Fernandona morrer dura, com os olhos esbugalhados (ah, que olhos!) é simplesmente o máximo! Ver as cenas de Fernandona pontuadas pela trilha sonora de Antonio “Ziraldo” Pinto é simplesmente o máximo. Isso é o filme baseado no romance de mesmo título de Gabriel García Márquez, "O Amor em Tempos de Cólera", do diretor Mike Newell. Uma história bem contada, com fotografia deslumbrante de Affonso Beato e uma maquiagem horrível, que simplesmente não envelhece os atores para marcar a passagem de tempo e caracterizá-los em idade avançada. E Fernandona, minha íntima amiga do cinema, do teatro e da tv.


quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Pela Esquerda!

Abaixo a Ditadura!

“Condor”. O título do filme foi o nome dado à cooperação entre militares sul-americanos que culminou com o seqüestro e assassinato de milhares de pessoas e no exílio de muitas outras em toda a América Latina. O filme conta uma história de terrorismo de estado, através de histórias de pessoas e da busca pela justiça, mostrando entrevistas com os dois lados da história: os militares e os ativistas. O general Manoel Contreras (braço direito de Pinochet), Pinochet Jr, Jarbas Passarinho e Hebe de Bonafini (Madre de Mayo) falam de suas experiências e vidas durante os anos de chumbo na América Latina. Preciso dizer mais? Não. O negocio é fazer fila pra assistir, quando entrar em cartaz. O diretor Roberto Mader nos dá uma aula de história.

Tá dominado, tá tudo dominado!

Um cowboy rastafari a cavalo seqüestra um ricaço e o coloca cara a cara com a realidade do lado de fora dos condomínios fechados. Paulinho Caruso faz do seu curta - Alphaville 2007 d.C. – um filme com muita pressão. E seguuuuura, peão!

Loucura, loucura, loucura!

Um diretor de teatro obcecado com a injustiça cometida contra um fazendeiro, caso que iniciou o processo de extinção da pena de morte no Brasil, resolve montar um espetáculo com este tema usando um elenco de pacientes psiquiátricos. A coisa fica fora de controle quando os pacientes resolvem seguir de maneira realista a história de Manoel da Motta Coqueiro. Um elenco de primeira, com destaque para os atores que interpretam os pacientes (caras não muito conhecidas que nos deixam em dúvida se são ou não internos em tratamento). Eduardo Moscovis também manda ver no papel do teatrólogo Danilo. “Sem Controle” é um thriller brasileiro que consegue prender o espectador na cadeira na primeira parte e causar o desconforto da situação incômoda apresentada no decorrer do filme. Cris D’Amato soube como fazer a coisa render utilizando até o efeito de “noite americana” (filmar de dia com filtros que simulam a noite).

terça-feira, 2 de outubro de 2007

A Ópera e o Malandro


A Ópera e o Malandro I

Vem meu amooooooor, vem fazer glu-glu! Mon-amour! André Moraes reuniu um elenco estelar que incluiu Wagner Moura, Lucio Mauro Filho, Lázaro Ramos, Luciano Szafir, Jairzinho Oliveira e Thais Araújo. Tudo isso para fazer uma abobrinha musical cinematográfica chamada a “Ópera do Mallandro”, com dois L. Na sessão noturna do cinema Odeon, quase todo o elenco (faltando apenas o casal Ramos Araújo) subiu ao palco para saudar Sérgio Mallandro, muso e homenageado do curta. Todos que lá subiram, entre atores e técnicos, fizeram “glu-glu”, com direito aos trejeitos e passinhos do apresentador de tv. E Wagner ainda aproveitou para dar uma espinafrada no colunista Diego Mainardi (revista Veja e Manhattan Conecction), por este ter esculhambado a produção cinematográfica brasileira atual e (acreditem!) as sobrancelhas do protagonista de Tropa de Elite. E o filme? Ainda bem que é um curta!

A Ópera e o Malandro II

Bruno Safadi. Guardem esse nome. O cinema autoral ainda vai ouvir falar desse jovem diretor que conseguiu com seu filme “Meu nome é Dindi”, esvaziar a sessão do Odeon, tão rápido quanto Sérgio Mallandro encheu com seu curta, quinze minutos antes. Dona de uma quitanda à beira da falência, a personagem Dindi luta perigosamente pela sua sobrevivênvia. Mas pelo visto, não consegue salvar nem o filme. O que é uma pena, porque Carlo Mossy (o açougueiro), Nildo Parente (o palhaço) e Maria Gladys (a vizinha) são jóias raras da dramaturgia cinematográfica brasileira, com tempo de serviço prestado e que poderiam ter sido muito melhor aproveitados em seus papéis.

A Ópera e o Malandro III

Festa na Tenda de Copacabana. Todos dançando na boate ao som dos anos 80. E quem ficou até o final da farra ainda curtiu uma canja com Sérgio Mallandro, que cantou seu repertório inteiro pra fazer vagabundo pular e se esbaldar, hehehe!

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Domingo foi o dia dos benditos malditos e malditos benditos!



É isso aí, meu elenco! E segue a fita! Domingo que passou foi dia de malditos. Ou benditos, como queiram. De Tetê Mattos com seu curta “A Maldita”, sobre a Fluminense FM, rádio que rompeu com os padronizados mercados de música estrangeira, dando início à chamada geração Rock 80, com irreverência, ousadia e criatividade na programação. Na tela, depoimentos de jornalistas, artistas, locutores e ouvintes. Na platéia, outro maldito: o roqueiro Serguei. Muito bom de ver e de ouvir.

Logo depois, outra bendita que quase virou maldita: “Rita Cadillac – A Lady do Povo”, documentário dirigido por Toni Venturi (diretor do elogiadíssimo Cabra-Cega, 2005), onde a ex-chacrete se desnuda de corpo (e que corpo!) e alma, contando que para sobreviver, depois da morte do Velho Guerreiro, fez até programas. Conta de suas aventuras no garimpo de Serra Pelada, de seu romance com o rei Pelé e de suas apresentações gratuitas no complexo do Carandiru (SP). E de que quase virou maldita por ter feito filmes de sexo explícitos para a série “As Brasileirinhas”. E avisa: vem aí como candidata a um cargo eletivo na próxima eleição.

Paulo Caldas e seu “Deserto Feliz” mostram em imagens cruas e às vezes esmaecidas o tráfico de animais e exploração sexual de meninas no interior nordestino. Destaques para Nash Laila, a protagonista, Zezé Motta, João Miguel (Estômago) e Hermila Guedes (O Céu de Suely).

A Idade da Terra, de Glauber Rocha. Baseado num poema de Castro Alves, este clássico do cinema brasileiro traça um amplo painel da vida e da política no Brasil na passagem da década de 70 para a década de 80, através da metáfora do Terceiro Testamento dos Quatro Cristos-cavaleiros do Apocalypse. O filme foi totalmente restaurado, dentro da mostra Tesouros da Cinemateca, do 9° Festival do Rio. Na platéia os emocionados Tarcísio Meira, Antônio Pitanga e Ana Maria Magalhães, atores deste último filme de Glauber, além de Paloma Rocha, filha de Glauber e dona Lúcia Rocha, mãe do cineasta. Uma benção para quem viu tudo (160 minutos). E um milagre para quem entendeu tudo. Porque a obra de Glauber não é para ser entendida e nem compreendida. É para ser absorvida!

Corta!

Rolo

E vamos botar água no feijão


Sábado foi o dia da Feijoada do Festival do Rio, um programaço sem igual na tarde de sábado. Comi. Bebi. Repeti. Curti a bateria e as passistas lindas da Escola de Samba Grande Rio, de Duque de Caxias e... fui pra casa dormir. E sonhar com as musas deste festival.

“Menino é a Bruna! Coisa horrorosa!”

(Arquiles Arquelau, Professor de Mitologia)

É isso aí, meu elenco! E segue a fita! Seguindo a escola de Robert Altman, Carlos Alberto Riccelli faz um filme correto, bastante simples até, sem as afetações e maneirismos de um segundo trabalho para tentar seduzir a crítica. E não é que ele consegue. O Signo da Cidade (com roteiro e atuação elegante de sua patroa, a sempre Bruna Lombardi) mostra dramas individuais que se entrelaçam no decorrer da trama, juntando astrologia, transexualismo, hospitais e fé, emoldurados por uma São Paulo fria, acinzentada e ao mesmo tempo linda, exatamente como conhecemos ou imaginamos. Uma história delicada com deve ser e rude como deve ser. Destaque para Eva Vilma, Juca de Oliveira e Sidney Santiago (prêmio de melhor ator pelos “12 Trabalhos de Hércules”, dividido com Selton Mello, no Festival de 2006) interpretando um travesti em seu segundo papel no cinema. “Eu ainda tenho que me acostumar com o que vejo na tela, fazendo esta personagem...” me disse timidamente.

Corta!

Rolo